Relatório pode expor o que realmente derrubou avião da Voepass; fim do mistério?
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Por Luiz Haab
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A divulgação do relatório final do Cenipa promete lançar luz sobre um dos acidentes aéreos mais marcantes da história recente do Brasil. A aeronave da Voepass decolou de Cascavel com destino a Guarulhos, mas caiu em Vinhedo (SP), provocando a morte de todos os 62 ocupantes. Agora, quase dois anos depois da tragédia, a expectativa é que a investigação técnica responda às principais dúvidas que ainda cercam o caso.
Entre os pontos mais aguardados estão a atuação do sistema antigelo da aeronave, as condições meteorológicas enfrentadas durante o voo, o desempenho da tripulação e a possibilidade de problemas de manutenção. Também deve ser analisado se houve falhas operacionais, se os protocolos previstos para situações de gelo severo foram seguidos e se existiam indícios de defeitos antes mesmo da decolagem.
Outro aspecto que pode ganhar destaque é a fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os procedimentos adotados pela companhia aérea. Durante as investigações surgiram relatos de supostas falhas no sistema antigelo em voos anteriores, além de questionamentos sobre registros de manutenção e as condições de operação da frota. O relatório poderá indicar se esses fatores tiveram influência na sequência de acontecimentos que terminou na queda da aeronave.
Embora o documento seja considerado o principal resultado da investigação técnica, ele não apontará culpados nem servirá para responsabilização criminal. A missão do Cenipa é identificar os fatores contribuintes e emitir recomendações de segurança capazes de reduzir o risco de novas tragédias. Paralelamente, a Polícia Federal mantém a apuração para verificar a existência de eventuais responsabilidades criminais.
A publicação do relatório representa um momento decisivo para familiares das vítimas, para a aviação brasileira e para toda a população de Cascavel, cidade de onde partiu o voo. Além de esclarecer o que aconteceu nos minutos que antecederam a queda, as conclusões poderão provocar mudanças em procedimentos operacionais, na fiscalização das companhias aéreas e até em sistemas utilizados pela própria aeronave, buscando impedir que um desastre semelhante volte a ocorrer.