Tarifaço dos EUA começa nesta quarta, mas economista tranquiliza Oeste do PR: "Impacto será pequeno"

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Região deve escapar dos efeitos mais severos da taxação americana por ter grãos, aves e suínos entre os produtos que ficaram de fora da cobrança; especialista faz alerta para riscos indiretos e cenário mundial.

Por Luiz Haab

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O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras começa a valer nesta quarta-feira (22), mas a avaliação para o Oeste do Paraná é menos preocupante do que se imaginava inicialmente. Após a divulgação da estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontando que cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA podem ser afetadas, um economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), explicou que a realidade da região é diferente.

Em entrevista à CGN, o economista Bruno Henrique Comitre afirmou que os principais produtos produzidos no Oeste paranaense ficaram na lista de exceções da medida norte-americana, reduzindo significativamente os impactos diretos sobre produtores locais.

“Aqui para a nossa região Oeste do Paraná o impacto estimado é pequeno. Os principais produtos taxados por eles estão na lista de exceções. Carnes in natura, grãos, tudo que é forte aqui na nossa região não vai ter um impacto direto por essa tarifa”, afirmou.

Segundo o economista, o setor que mais pode sentir os efeitos da nova política comercial está concentrado em outra região do estado.

“Quem deve ser mais afetado no Paraná é o setor madeireiro, principalmente na região Sul, porque esses produtos estão dentro da lista atingida pela tarifa.”

Apesar da tranquilidade em relação ao impacto imediato sobre as exportações de aves, suínos, bovinos e grãos produzidos na região, Comitre alerta que a economia pode sentir reflexos indiretos. Caso o mercado americano deixe de absorver parte da produção brasileira, o excesso de oferta poderá pressionar os preços internos.

“Se você precisa recorrer ao mercado interno, isso pode gerar uma queda generalizada de preços. Para quem compra é bom, mas para quem vende a margem fica apertada e, em alguns casos, pode haver prejuízo.”

Outro efeito já percebido pelo setor, segundo ele, é o aumento da insegurança para novos investimentos.

“Ninguém faz um investimento grande num cenário incerto. Quando existe muita instabilidade, a tendência é segurar os investimentos até que haja maior previsibilidade.”

Oeste deve sofrer pouco com tarifa

Mesmo com a preocupação nacional envolvendo as exportações, o economista reforçou que os produtos que sustentam a economia agrícola do Oeste praticamente não dependem da medida anunciada pelos Estados Unidos.

Ele explica que derivados de leite e sebo aparecem entre os itens que podem sofrer algum reflexo, mas ressalta que boa parte da produção regional de laticínios abastece o mercado interno e não é destinada aos americanos.

“Para a nossa realidade, o impacto direto vai ser pequeno. Podemos ser afetados pela conjuntura, indiretamente, mas diretamente o impacto é baixo.”

Clima e guerras preocupam mais que a tarifa

Durante a entrevista, Bruno Henrique Comitre destacou que, neste momento, outras variáveis podem representar desafios ainda maiores ao produtor rural do que a própria taxação americana.

A possibilidade de um Super El Niño preocupa principalmente pela influência sobre a produtividade das próximas lavouras, especialmente do trigo e da safra de verão. Além disso, os conflitos internacionais também pressionam custos importantes da atividade.

“A guerra influencia diretamente um dos principais custos do produtor, que é o combustível. Também precisamos acompanhar fertilizantes, commodities e preços internacionais.”

Segundo ele, a recomendação é que o produtor acompanhe o mercado com cautela e utilize contratos antecipados sempre que possível para proteger a rentabilidade.

“É pesquisar, analisar mercado e tomar cuidado com os preços. Se proteger com contratos de venda antecipada pode garantir uma boa rentabilidade.”

Risco existe, mas agro do Oeste segue forte

Questionado sobre o nível de risco para o agronegócio em uma escala de zero a dez, o economista avaliou que o momento inspira atenção, mas ainda está longe de representar um cenário crítico.

“Talvez um sete. Nosso país é muito produtivo e isso nos protege. Precisamos acompanhar os preços internacionais, combustíveis, fertilizantes e fazer boas compras de insumos para garantir rentabilidade.”

Embora o tarifaço entre oficialmente em vigor nesta quarta-feira (22), a avaliação do Deral é que o Oeste do Paraná deve atravessar esse novo cenário com impactos limitados, graças ao perfil da produção regional e ao fato de seus principais produtos permanecerem fora da lista de cobrança dos Estados Unidos. Ainda assim, o economista ressalta que o momento exige planejamento, cautela e atenção permanente ao mercado internacional.

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