Golpe do aluguel: mulher aluga casa por anúncio no Facebook e é expulsa pelo dono real em Cascavel
Publicado em

Por Redação CGN
Atualizado em
Foi um anúncio como tantos outros no Facebook, mas na verdade era o “Golpe do Aluguel”: fotos de uma casa no bairro Morumbi, em Cascavel, texto simples, contato pelo WhatsApp. Para a vítima, parecia a chance certa de finalmente se mudar. O que ela não sabia era que estava prestes a viver um dos golpes mais comuns — e mais cruéis — que rondam anúncios de imóveis nas redes sociais.
A CGN teve acesso a um documento da Justiça que reconstrói, em detalhes, como essa história aconteceu.
Uma negociação como qualquer outra
Tudo começou com uma mensagem simples pelo número informado no anúncio. Dali em diante, toda a negociação seguiu pelo WhatsApp: valores, condições, combinação de pagamento. Nada fora do comum — do jeito que boa parte dos aluguéis informais costuma ser fechado hoje em dia.
Combinado o valor de R$ 1.300 para o primeiro mês, a vítima fez o depósito na conta informada pela suposta dona do imóvel. Pagamento confirmado, chaves entregues. Dias depois, ela já estava de casa nova, organizando móveis, se acomodando, recomeçando.
A vida na casa nova durou menos de uma semana
O que parecia o início de uma nova fase terminou de forma abrupta. Menos de sete dias depois da mudança, o verdadeiro dono do imóvel apareceu na porta — acompanhado de policiais. Ele não fazia ideia de que sua casa estava sendo alugada. Nunca tinha autorizado nada daquilo.
Diante da cena, ficou claro para todos que a vítima também tinha sido enganada. Não havia nada que ela pudesse ter feito diferente: confiou em um anúncio, negociou de boa-fé, pagou o que foi pedido. O proprietário, reconhecendo isso, topou um acordo amigável para que ela deixasse o imóvel sem mais complicações. Mas o estrago já estava feito — ela tinha perdido dinheiro e, mais uma vez, precisava procurar onde morar.
E ainda veio a conta de água
Se o prejuízo já doía, o golpe reservava mais uma surpresa desagradável. A vítima descobriu que o fornecimento de água da casa tinha sido cortado por dívidas antigas — dívidas que não eram dela, mas que precisou pagar para conseguir usar o imóvel enquanto morou lá. Foram mais de R$ 490 em contas atrasadas junto à Sanepar.
No fim das contas, o golpe custou à vítima mais de R$ 1.700: o aluguel que nunca deveria ter sido pago, somado às faturas de água de uma dívida que nunca foi sua.
Agora o caso está nas mãos da Justiça
A mulher que anunciou o imóvel como se fosse dele responde hoje a uma ação penal em Cascavel, sob suspeita de ter cometido estelionato — crime que pode levar de um a cinco anos de reclusão, além de multa. Ela não foi localizada pessoalmente, e por isso sua citação precisou ser publicada por edital.
Um alerta que vale para quem procura imóvel
Histórias como essa se repetem com frequência cada vez maior em anúncios feitos direto pelas redes sociais, sem passar por imobiliárias. Alguns cuidados simples podem evitar que a história se repita: desconfiar de preços bons demais, insistir em visitar o imóvel pessoalmente antes de qualquer pagamento, confirmar que quem está alugando é realmente o dono, e preferir sempre um contrato formal — de preferência com uma imobiliária de confiança no meio do processo.
Nota de transparência editorial: Cabe destacar que a abertura da ação penal não significa confirmação de irregularidade ou culpa da denunciada. O caso ainda será analisado pela Justiça. A CGN mantém o espaço aberto para manifestação da denunciada e de sua defesa, caso queiram apresentar esclarecimentos.