Ataque e AVC: comprimido aprovado nos EUA promete reduzir ‘colesterol ruim’ em 60%
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Por Luiz Haab
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A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou nesta quinta-feira (16) o primeiro comprimido da classe dos inibidores de PCSK9, um avanço que pode transformar o tratamento de pessoas com colesterol elevado. Chamado Lipfendra (enlicitide), o medicamento apresentou capacidade de reduzir em até 60% os níveis do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, desempenho semelhante ao dos remédios injetáveis atualmente considerados entre os mais eficazes para prevenir doenças cardiovasculares.
A novidade representa uma alternativa para pacientes que precisam de uma redução mais intensa do colesterol e enfrentam dificuldades com os tratamentos injetáveis, seja pelo custo, pela necessidade de aplicações periódicas ou pela menor adesão ao tratamento. A aprovação foi baseada em estudos clínicos de fase 3, que demonstraram resultados positivos em pacientes com hipercolesterolemia familiar e também em pessoas que já utilizavam estatinas.
Embora as estatinas continuem sendo o tratamento mais indicado para controlar o colesterol, nem todos os pacientes conseguem atingir as metas recomendadas apenas com esses medicamentos. O novo comprimido atua bloqueando a proteína PCSK9, permitindo que o organismo elimine uma quantidade maior de colesterol LDL da corrente sanguínea.
Especialistas destacam que as diretrizes médicas atuais recomendam níveis cada vez mais baixos de colesterol para pessoas com alto risco cardiovascular, especialmente quem já sofreu infarto ou possui doenças arteriais. Quanto menor o LDL, menor tende a ser o risco de complicações como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Os medicamentos dessa classe já existem em versões injetáveis e demonstraram reduzir significativamente a ocorrência de eventos cardiovasculares quando associados às estatinas. Agora, a fabricante realiza novos estudos para confirmar se o comprimido oferece a mesma proteção clínica, além da redução do colesterol.
Outro diferencial é o preço. Nos Estados Unidos, o tratamento com o Lipfendra terá valor de tabela de US$ 315 por mês, abaixo dos medicamentos injetáveis da mesma categoria, que costumam custar entre US$ 500 e US$ 600 mensais. A expectativa é que o novo formato facilite o acesso ao tratamento e aumente a adesão dos pacientes.