Lula perdeu o controle: tarifaço, PEC-bomba e a conta que sobra para o brasileiro
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Por Redação CGN
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O Brasil vive esta semana o retrato do que é ser governado sem rumo. De um lado, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência marcada para 22 de julho. Em paralelo, tramita ainda uma segunda sobretaxa, de 12,5%, que pode atingir 60 economias — Brasil incluído — sob a justificativa de combate ao trabalho forçado. Do outro lado, em Brasília, o Senado promulgou a PEC dos agentes de saúde, um rombo bilionário nas contas públicas que vai exigir mais arrecadação — leia-se, mais imposto no bolso de quem trabalha.
Duas notícias, um só diagnóstico: o governo Lula não consegue mais conduzir o país nem para dentro, nem para fora.
No campo externo, o resultado fala por si. Depois de um ano inteiro de investigação da Seção 301 da Lei de Comércio americana, os Estados Unidos concluíram que o Brasil mantém práticas que consideram desleais — do PIX ao desmatamento, da pirataria ao acesso ao mercado de etanol. Not by accident: o governo brasileiro sequer enviou representantes para a audiência pública que discutiu a tarifa antes da decisão final. Deixou a cadeira vazia numa negociação que custará bilhões ao setor produtivo nacional. É a incompetência diplomática travestida de soberania. Quando o discurso ideológico substitui a articulação técnica, quem paga a conta é o exportador brasileiro — o empresário que gera emprego, não o petista de gabinete que faz o discurso.
E o mais irônico: o mesmo governo que trata qualquer tarifa alheia como afronta à soberania nacional não hesita em aumentar impostos internos sempre que precisa fechar as contas. Cobrar mais do brasileiro é gestão; taxar as exportações brasileiras é imperialismo. Falta coerência — ou, como se diz por aí, falta é competência mesmo.
Enquanto isso, em Brasília, o Senado aprovou a PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, com impacto estimado entre R$ 27 e R$ 28 bilhões em dez anos. A categoria merece reconhecimento, ninguém discute isso. O problema é o método: mais uma pauta-bomba aprovada num ano eleitoral, sem indicação clara de fonte de custeio, empurrando para o futuro uma conta que o presente não tem como pagar. O próprio Ministério da Fazenda já sinaliza que vai recorrer ao STF — prova de que nem dentro do próprio governo há controle sobre o que se aprova em seu nome.
E a lógica é sempre a mesma: mais despesa pede mais arrecadação, mais arrecadação pede mais imposto, e mais imposto significa preço mais alto em tudo o que o brasileiro compra. Não é aumento de renda gratuito — é inflação disfarçada de conquista social. Quem vai pagar a briga política entre Senado e Planalto não é ninguém em Brasília. É o consumidor, na ponta do mercado, sentindo o preço subir.
O que se vê é um governo que perdeu a capacidade de antecipar problemas e só sabe reagir a eles — sempre culpando alguém mais. Quando erra lá fora, a culpa é dos “imperialistas americanos”. Quando erra aqui dentro, a culpa é do “Congresso golpista”. Falta, em ambos os casos, a coisa mais básica que se espera de quem governa: assumir a responsabilidade e resolver.
O Brasil não precisa de mais discurso. Precisa de um governo capaz de negociar sem se ajoelhar nem se isolar, e de administrar o dinheiro público sem empurrar a conta para quem ainda vai nascer. Isso, infelizmente, não está no radar de quem está no comando.