Operação Rastreio: Delegado fala sobre esquema com advogada, notas falsificadas e funcionários infiltrados
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Por Fábio Wronski
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Na manhã desta sexta-feira (10), a Polícia Civil deflagrou a terceira fase da Operação Rastreio em Cascavel e Toledo, com o objetivo de combater um esquema de tráfico interestadual de drogas. O delegado Eduardo Kwasinski detalhou como a ação resultou na prisão de 12 pessoas e na apreensão de grandes quantidades de entorpecentes.
Prisões e buscas marcam avanço da operação
Segundo o delegado, foram expedidos 12 mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca, todos cumpridos nesta sexta-feira.
“O que nos dá efetividade no desmantelamento de uma grande organização que realizava remessas interestaduais de entorpecentes. Para viabilizar esse modus operandi, eles também falsificavam documentos públicos, como notas fiscais e documentos relacionados ao transporte”, explicou Kwasinski.
Novas provas podem levar a mais prisões
O delegado destacou que a operação pode não ter terminado.
“Considerando que, a cada fase em que cumprimos mandados de busca, encontramos novos elementos de prova, não posso afirmar que a investigação termina por aqui. Vamos analisar as novas provas e poderemos identificar outros elementos e outras pessoas envolvidas.”
Advogada e funcionários infiltrados
Entre os presos estão homens, mulheres e até uma advogada que, conforme o delegado, desempenhava um papel importante na organização criminosa.
“Encontramos, ao lado de um dos líderes do grupo, uma advogada responsável principalmente pela parte financeira da organização. Outro fator que chamou a atenção foi que, dentro dessa estrutura complexa, duas pessoas foram presas por estarem infiltradas em transportadoras, atuando como pontos de contato para facilitar o envio das mercadorias.”
Destino das drogas e prejuízo milionário
A maior parte das drogas era enviada para o estado de São Paulo, mas também havia remessas para o Rio de Janeiro e outros estados das regiões Nordeste e Sudeste.
“Desde o início dessa operação, que dura aproximadamente cinco meses, foram apreendidas uma tonelada e meia de maconha, quase uma tonelada de haxixe, meia tonelada de crack e meia tonelada de cocaína. Estimamos, com base no valor médio dessas drogas em Cascavel, um prejuízo de aproximadamente R$ 3,5 milhões”, informou o delegado.
Como funcionava o esquema
O grupo utilizava transportadoras para enviar as drogas, mas, segundo Kwasinski, as empresas não tinham conhecimento da atividade criminosa.
“As transportadoras eram utilizadas para as remessas. Esse é um método que facilita muito a ação dos traficantes, porque eles não se expõem, não estão nas ruas nem armados. No entanto, eles tinham pessoas infiltradas nas empresas que facilitavam o envio das cargas, sem o conhecimento das transportadoras, obviamente”, esclareceu.
Sobre o transporte, o delegado explicou:
“Inicialmente, eles compravam efetivamente os produtos, emitiam a nota fiscal correspondente e, no momento do transporte, ocultavam a droga dentro desse material ou substituíam o conteúdo por entorpecentes. Ou seja, havia notas fiscais legítimas referentes à compra dos produtos, mas o conteúdo transportado era diferente do declarado. Com a evolução da organização criminosa e para maximizar os lucros, eles passaram a falsificar as notas fiscais, eliminando a necessidade de comprar esses materiais. Assim, colocavam toda a carga em caixas ou outros tipos de embalagens acompanhadas de notas fiscais falsas.”
Drogas escondidas em objetos diversos
Entre os materiais utilizados para esconder as drogas estavam fornos e equipamentos agrícolas.
“Fizemos a apreensão de um forno que escondia toda a droga em seu interior, além de equipamentos agrícolas”, revelou o delegado.
Operação segue em andamento
A Polícia Civil segue analisando novas provas e não descarta novas prisões. Até o momento, não houve bloqueio de bens dos envolvidos.