“Só porque ela não fala direito o português”, mãe desabafa após menina Venezuela ser agredida

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Por Fábio Wronski

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Uma adolescente de 15 anos foi brutalmente agredida por sete colegas na manhã desta sexta-feira (10), no Bairro Universitário, em Cascavel. A vítima, que é venezuelana e enfrenta dificuldades com o português, foi atendida pelo Siate na Rua Três Amigos e encaminhada à UPA com várias contusões. O caso reacendeu o debate sobre xenofobia e bullying nas escolas da cidade.

A mãe da jovem conversou com a CGN e, emocionada, relatou que esta foi a terceira vez que a filha sofre agressões por parte de colegas. Segundo ela, o motivo das agressões é a origem estrangeira da menina e a dificuldade com o idioma. “Elas falam só que você foi da Venezuela, porque ela não fala bem o português”, contou a mãe.

Segundo o relato, duas agressões já haviam ocorrido dentro da escola, mas desta vez, a violência aconteceu na rua, logo após a saída das aulas. “É a terceira vez que bate-bate nela na escola, duas vezes bateram nela na escola e agora os estudantes bateram ela fora da escola, saindo da escola e deixaram ela jogada na rua, gente”, desabafou a mãe, aos prantos.

Ela revelou ainda que, após a segunda agressão, pensou em buscar apoio judicial, mas foi desencorajada pela direção do colégio: “A diretora do colégio falou pra não colocar na justiça, porque daí o colégio ia ser implicado em jornal e essas coisas e eles não queriam isso. Agora aconteceu por terceira vez, a gente só quer viver tranquilo, a gente tá aqui estudando, trabalhando, não tá fazendo mal pra ninguém”.

Questionada sobre o motivo das agressões, a mãe foi direta: “É um preconceito mesmo”. Ela contou que a família veio ao Brasil em busca de uma vida melhor, mas agora vive com medo. “Aí eu me sinto, sabe, eu não sei nem o que fazer, a gente veio pra cá, nem tem condições de voltar, mas também a gente foi bem acolhido aqui pra agora acontecer essas coisas com os jovens da escola, imagina isso. Imagina o que vai acontecer com o adulto, os pais dessas crianças”.

A mãe finalizou o desabafo pedindo apenas o direito de estudar e viver em paz: “Minha filha só quer estudar, gente. Ela quer estudar desde que ela chegou nesse colégio. Eu sou apanha desses estudantes. Só porque ela não fala direito o português não é justo, gente”. Sobre o sofrimento, ela foi categórica: “Sofre muito, muito”.

Resumo do que aconteceu

Menina venezuelana é atacada brutalmente por colegas em Cascavel: o que aconteceu?
R: Uma adolescente venezuelana de 15 anos foi agredida por sete colegas na manhã de 10 de julho de 2026, no bairro Universitário, em Cascavel, Paraná. Ela foi encontrada caída na rua com vários ferimentos e socorrida pelo Siate e Corpo de Bombeiros.
Por que a adolescente foi agredida por colegas?
R: Segundo a mãe da vítima, a agressão aconteceu devido ao preconceito contra a origem estrangeira da menina e suas dificuldades em falar português, caracterizando um caso de xenofobia e bullying.
Quantas vezes a menina já sofreu agressões na escola?
R: Esta foi a terceira vez que a adolescente foi agredida por colegas. Duas agressões ocorreram dentro da escola e a terceira, na rua, após a saída das aulas.
Como foi o resgate da vítima após a agressão?
R: Moradoras da região encontraram a adolescente caída na rua e a levaram até a casa da mãe, que acionou o socorro. O Siate constatou vários hematomas, escoriações e a perda de uma unha da vítima.
Qual escola está envolvida no caso?
R: A adolescente estuda no Colégio Estadual Olinda Truffa de Carvalho, em Cascavel.
Quais autoridades foram acionadas após a agressão?
R: O Conselho Tutelar e a Polícia Militar foram chamados para registrar a ocorrência e iniciar o acompanhamento do caso.
A escola tomou alguma atitude após as agressões anteriores?
R: Segundo a mãe, após a segunda agressão, ela pensou em buscar apoio judicial, mas foi desencorajada pela direção do colégio, que não queria que o caso fosse divulgado.
Quais foram os ferimentos sofridos pela menina?
R: A adolescente teve vários hematomas, escoriações pelo corpo e perdeu uma unha durante o ataque.
Como a mãe da vítima reagiu ao ocorrido?
R: A mãe ficou emocionada e desabafou que a família veio ao Brasil em busca de uma vida melhor, mas agora vive com medo e pede apenas o direito de estudar e viver em paz.
O caso gerou debate na cidade?
R: Sim, o caso reacendeu o debate sobre xenofobia e bullying nas escolas de Cascavel.
A vítima já havia sofrido xenofobia antes?
R: Sim, a mãe relata que todas as agressões sofridas pela filha foram motivadas por preconceito devido à sua origem venezuelana e dificuldade com o idioma.
Como está o acompanhamento do caso pelas autoridades?
R: O Conselho Tutelar e a Polícia Militar iniciaram acompanhamento do caso após o registro da ocorrência.
O que a família espera após as agressões?
R: A mãe pede apenas que a filha tenha o direito de estudar e viver em paz no Brasil, sem sofrer mais agressões ou preconceito.
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