Colega fazia gestos de macaco e escrevia a palavra na mão, aponta denúncia do MP
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Por Redação CGN
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A Justiça de Maringá publicou nesta quinta-feira (2) um edital de citação contra um ex-funcionário de Supermercado, denunciado pelo Ministério Público por injúria racial contra uma colega de trabalho. A medida foi necessária porque o denunciado não foi localizado pessoalmente para tomar ciência do processo.
Segundo a apuração do Ministério Público, o caso teria ocorrido em três dias diferentes de abril e maio de 2025, dentro do supermercado, localizado na Avenida Morangueira, em Maringá.
O que a denúncia aponta
De acordo com o Ministério Público, o denunciado teria tocado no cabelo da colega e feito gestos associando-a a um macaco, além de escrever a palavra “macaco” na própria mão e mostrá-la à vítima. Um detalhe chama atenção na descrição do caso: o denunciado é uma pessoa surda, e o Ministério Público registra que a conduta teria sido praticada por meio de gestos e da palavra escrita, já que ele se comunica dessa forma.
A denúncia foi oferecida em outubro de 2025 e recebida pela Justiça em novembro do mesmo ano, com base no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/89, que prevê pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa para quem injuria alguém em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional.
Casos de racismo no ambiente de trabalho seguem sendo um dos principais focos de atuação do Ministério Público em todo o país, e a Justiça tem tratado a injúria racial com penas equiparadas às de crimes graves desde a mudança legislativa que a tornou imprescritível e inafiançável.
O que os documentos mostram
Segundo consta no processo, a vítima comunicou o ocorrido ao setor de recursos humanos do Supermercado Amigão, que demitiu o funcionário por justa causa. O MP seguiu com a denúncia criminal de forma independente da consequência trabalhista.
Agora, com a publicação do edital, o denunciado tem prazo de 10 dias, a partir desta quinta-feira (2), para apresentar defesa por meio de advogado. Caso o prazo se esgote sem manifestação, a Justiça poderá nomear um defensor público para representá-lo.
O caso será analisado pelas autoridades.