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A economia da atenção: as plataformas que competem pelo tempo livre dos brasileiros

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A novidade não está no volume, porque os brasileiros já figuram entre os povos que mais tempo passam em redes sociais no mundo. A infraestrutura a...
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Por Redação CGN

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A disputa mais acirrada do entretenimento brasileiro não se trava por dinheiro, mas por minutos. Cada aplicativo aberto, cada vídeo que roda sozinho e cada notificação calibrada para reaparecer na hora certa faz parte de uma engenharia com um único alvo: o tempo livre de uma população que já vive quase toda conectada. No fim de 2025, o país somava 185 milhões de pessoas na internet, o equivalente a 86,9% da população, e 150 milhões de identidades ativas em redes sociais, um retrato do consumo digital que ajuda a entender por que tantas empresas brigam exatamente pelos mesmos olhos.

A novidade não está no volume, porque os brasileiros já figuram entre os povos que mais tempo passam em redes sociais no mundo. A infraestrutura ajudou a acirrar tudo: são 217 milhões de conexões móveis ativas, mais do que a população inteira, e uma velocidade média de internet móvel que disparou para 239 megabits por segundo, mais que o triplo registrado um ano antes. O que mudou foi o formato da briga. Em vez de um vencedor único, a atenção se pulverizou: o TikTok cresceu 17,6% em doze meses e chegou a 131 milhões de usuários adultos, o Instagram somou 147 milhões e o YouTube manteve 150 milhões, enquanto o Facebook recuou. Ninguém larga um aplicativo para entrar em outro; vai acumulando todos ao mesmo tempo, e é esse empilhamento que parte o dia em pedaços cada vez menores.

Quando a confiança vira disputa

Em parte desse território, a disputa já mudou de natureza. Ela alcança um setor que poucos colocam no mesmo balde do streaming, mas que briga pelo tempo livre com igual apetite: o entretenimento online regulado. Desde que a regulamentação dos jogos e das apostas entrou em vigor, em janeiro de 2025, a competição passou a ser por credibilidade, com operadoras se apresentando a partir de taxas de retorno auditadas, software certificado e licença à vista, já que, num mercado fiscalizado, a confiança virou o principal argumento de venda. A escala ajuda a explicar o esforço: o país já aparece entre os maiores mercados regulados do mundo, com cerca de 25 milhões de apostadores ativos, perto de 12% da população, e mais de R$ 3 bilhões em tributos federais só entre janeiro e setembro de 2025.

Não por acaso, a maneira como esse mercado expõe os próprios incentivos virou um indicador de quão sério ele é. Os bônus de cassino de rodadas grátis que portais especializados reúnem e avaliam, por exemplo, aparecem acompanhados das condições que os regem, das exigências de aposta aos prazos de validade, e da regra atual que reserva esses giros a quem já mantém conta ativa e fez ao menos um depósito. Disputar atenção nesse território, hoje, passa por mostrar as regras de forma aberta, e não por escondê-las.

A atenção virou moeda medível

As plataformas de streaming, enquanto isso, pararam de tratar o engajamento como algo abstrato. A Netflix começou a medir no Brasil os segundos de atenção real diante de seus anúncios, com rastreamento de olhar em um painel de 250 domicílios, num esforço para transformar a atenção em métrica auditável e sustentar uma operação de publicidade que passou de US$ 1,5 bilhão em 2025 e deve dobrar até o fim de 2026.

Quando uma empresa precisa cravar quantos segundos de olhar um comercial conquista, fica claro que a mercadoria deixou de ser o filme ou a série e passou a ser a presença de quem assiste. O Brasil, um dos três maiores mercados da Netflix no planeta, virou laboratório porque por aqui a maior parte do público ativo já está no plano com comerciais. A aposta tem lastro: nos testes feitos antes no México, um anúncio de 20 segundos prendeu 64,5% de atenção ativa, cerca de 27% acima do que marcaram concorrentes diretos no país.

O mesmo cálculo reaparece nos games, nas transmissões ao vivo e até na música, com faixas encurtadas para fisgar o ouvinte nos primeiros segundos. Os jogos transformaram o tempo de partida em receita recorrente, as lives viraram companhia de fundo para milhões de telas simultâneas, e todos perseguem o mesmo recurso escasso. A conta, porém, não fecha para todo mundo, porque o dia continua tendo as mesmas 24 horas por mais telas que apareçam.

Os números de dentro de casa confirmam o deslocamento. Entre os domicílios brasileiros com televisão, 43,4% já contam com streaming pago, contra uma TV por assinatura que encolheu para 18,3 milhões de lares, e o principal motivo para largar a TV paga deixou de ser o preço e virou pura falta de interesse. Há até quem viva só de streaming, sem sinal aberto nem fechado, num movimento que redesenha o consumo dentro de casa e mostra para onde a atenção está migrando.

A pergunta que sobra não é qual plataforma vai vencer, porque talvez nenhuma vença sozinha. É quanto tempo uma pessoa aguenta ser disputada por todas ao mesmo tempo antes de decidir, por conta própria, desligar a tela. E se esse limite chegar, a escassez de verdade deixará de ser a atenção para virar a paciência de quem ainda manda no controle remoto.

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