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O mundo acabou de criar a primeira lei global para carros que dirigem sozinhos

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China, EUA, Europa e Japão assinaram a primeira regulamentação técnica mundial para veículos autônomos. Entenda o que muda e em que nível a tecnologia...
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Imagem ilustrativa / Depositphotos.com

Por Redação CGN

Atualizado em

Imagine que você entra no carro, digita o destino no celular e simplesmente… senta. Nada de volante, nada de pedal. O carro analisa o trânsito, desvia de buracos, freia antes da faixa de pedestres e te entrega no destino sem você ter tocado em nada. Parece ficção científica — mas já existe. E agora, pela primeira vez na história, o mundo inteiro decidiu criar uma regra única para dizer como esse carro precisa se comportar.

Na semana passada, em Genebra, representantes de China, União Europeia, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Japão assinaram juntos o que foi chamado de ADS GTR — a primeira regulamentação técnica global sobre sistemas de condução automatizada. É como se o mundo todo tivesse se reunido para criar um “código de conduta” que todo carro autônomo precisará seguir, independentemente de onde foi fabricado.

Por que isso importa?

Pense assim: antes dessa regulamentação, cada país fazia o que queria. Era como se cada cidade brasileira inventasse seu próprio código de trânsito — uma bagunça para quem quisesse circular por mais de um lugar. Uma montadora que desenvolvesse um carro autônomo na Alemanha precisava adaptar o sistema inteiro para vender nos Estados Unidos, e adaptar de novo para o Japão.

Agora, com uma regra comum, um carro aprovado em Tóquio chegará às ruas de Paris com muito menos burocracia — e, principalmente, com garantia de que passou pelos mesmos padrões de segurança.

A regulamentação define coisas como: quais testes o veículo precisa passar antes de rodar nas ruas, que documentos o fabricante deve apresentar para provar que o carro é seguro, e como monitorar o comportamento do sistema depois que o carro já está em circulação.

A China no centro do jogo

Entre os países envolvidos, a China se destacou como um dos maiores contribuintes do projeto. E não é à toa: mais de 60% dos carros novos vendidos lá já saem de fábrica com sistemas avançados de assistência ao motorista — aquelas funções que mantêm o carro na faixa, freiam automaticamente em emergências e até estacionam sozinhos.

Além de toda essa experiência prática, as cidades chinesas são um laboratório natural para testar carros autônomos: ruas movimentadas, motocicletas entrando em todos os lados, pedestres atravessando fora da faixa. Se um sistema funciona bem em Xangai na hora do rush, ele provavelmente vai funcionar em qualquer lugar.

Mas afinal, em que nível estamos?

Os carros autônomos são classificados por níveis, do 0 ao 5. Para entender:

  • Nível 0: você dirige tudo. O carro não faz nada sozinho.
  • Nível 2: o carro ajuda — mantém a velocidade, centraliza na faixa — mas você precisa estar de mãos no volante.
  • Nível 3: o carro dirige, mas precisa que você assuma o controle quando ele pede. É como um piloto automático mais avançado.
  • Nível 4: o carro dirige sozinho na maior parte das situações, sem precisar de você.
  • Nível 5: total autonomia. Nem precisa de volante.

Hoje, o mundo ainda está nos Níveis 3 e 4. Em dezembro do ano passado, a China autorizou pela primeira vez dois modelos de carros Nível 3 a circular em vias públicas — com restrições bem definidas. Um deles pode rodar sozinho em engarrafamentos em rodovias específicas de Chongqing, mas apenas até 50 km/h e numa única faixa. O outro funciona em rodovias de Pequim, com limite de 80 km/h.

Parece pouco, mas é histórico.

O que vem a seguir

A China já tem uma norma nacional em fase final de aprovação, alinhada com as regras globais — mas com exigências extras pensadas para a realidade local. O restante do mundo agora precisa fazer o mesmo: adaptar suas legislações domésticas ao novo padrão internacional.

A expectativa é que essa regulamentação sirva de alavanca para acelerar o processo. Com regras claras e aceitas globalmente, as montadoras têm mais segurança para investir, os governos têm base para fiscalizar, e o passageiro — aquele que um dia vai simplesmente entrar no carro e sentar — tem mais garantia de que o veículo que vai levá-lo foi testado de verdade.

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