Policiais penais acusam administração da Penitenciária Industrial de maus-tratos a cão “Neguinho”
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Por Luiz Haab
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Um cão que há anos faz parte da rotina da Penitenciária Industrial Marcelo Pinheiro (Pimp), em Cascavel, está no centro de uma denúncia que pede apuração urgente por supostos maus-tratos e omissão. Conhecido por servidores, colaboradores e frequentadores do local, o cachorro comunitário chamado “Neguinho” sempre circulou livremente pelas dependências da penitenciária e, ao longo dos anos, recebeu cuidados básicos oferecidos espontaneamente por pessoas que convivem com ele diariamente.
A situação, porém, teria mudado nos últimos meses. De acordo com o Boletim Ocorrência registrado por dois policiais penais na tarde desta quarta-feira (24), uma casinha construída especialmente para proteger o animal das baixas temperaturas do inverno teria sido retirada por determinação da direção da unidade. O abrigo havia sido confeccionado justamente para garantir proteção contra o frio intenso, a chuva e outras condições
Os relatos também apontam que teria havido orientação para impedir que servidores e detentos fornecessem água e alimentação ao cão. Caso os fatos sejam confirmados, a situação pode representar risco direto ao bem-estar e até mesmo à sobrevivência do animal.
O caso chama ainda mais atenção porque o próprio sistema penal paranaense já desenvolveu ações voltadas à proteção animal. Em iniciativas divulgadas pela Polícia Penal, pessoas privadas de liberdade participaram da produção de casinhas, roupas e cobertores destinados a animais em situação de vulnerabilidade, reforçando a importância do cuidado e da proteção aos bichos.
Diante das informações recebidas, foi solicitado que a Corregedoria investigue se houve determinação para restringir alimentação, hidratação e abrigo ao cachorro, além de verificar as condições atuais em que ele se encontra.
A denúncia também pede que sejam adotadas medidas imediatas para garantir proteção ao animal enquanto permanecer na unidade e que eventuais responsáveis sejam responsabilizados caso sejam constatadas irregularidades.
A legislação brasileira prevê punições para práticas de abuso e maus-tratos contra animais. A Constituição Federal e leis específicas de proteção animal determinam que cães e outros animais devem ser protegidos contra situações que coloquem em risco sua saúde, integridade e bem-estar.
A situação de “Neguinho” tem provocado revolta entre pessoas que acompanham o caso.
A CGN entrou em contato com a assessoria do Depen, que enviou a seguinte nota:
“Nota à imprensa
A Polícia Penal do Paraná (PPPR) informa que, até o momento, não foi oficialmente notificada sobre a ocorrência mencionada.
A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para contribuir com eventuais apurações e esclarecimentos que se fizerem necessários.
A Polícia Penal do Paraná reitera que não compactua com qualquer prática que configure maus-tratos ou violência contra animais, pautando sua atuação pelo respeito à legalidade e à vida.”