Menino há 40 dias sem evacuar precisa de cirurgia e família faz apelo
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Por Luiz Haab
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Há pouco mais de um mês, a história de Vitor Samuel, de 10 anos, mobilizou moradores de Cascavel e pessoas de várias cidades do Paraná. O menino, morador do bairro Universitário, convive desde o nascimento com um grave problema intestinal que o impede de evacuar naturalmente. Agora, a família enfrenta uma nova e decisiva batalha: arrecadar recursos para uma cirurgia considerada a única alternativa para devolver qualidade de vida à criança.
Depois de anos de consultas, tratamentos, medicamentos, fisioterapia, acompanhamento nutricional e psicológico, a resposta que a mãe, Solange dos Santos, buscava finalmente chegou. Mas ela veio acompanhada de um desafio ainda maior.
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Nas últimas semanas, graças às doações recebidas por meio de uma vaquinha, Vitor conseguiu realizar três procedimentos de retirada de fecaloma — uma limpeza intestinal complexa feita sob sedação. O tratamento foi essencial para que ele pudesse viajar até Curitiba e passar por uma avaliação especializada no Hospital Pequeno Príncipe.
O diagnóstico confirmou aquilo que a família temia.
— O médico falou que realmente o caso dele é só cirúrgico — conta Solange.
A cirurgia indicada é chamada de Malone, um procedimento que cria uma via de acesso ao intestino utilizando o apêndice. Por meio de uma pequena sonda instalada na região do umbigo, será possível realizar regularmente a limpeza intestinal necessária para que o organismo funcione adequadamente.
Segundo a mãe, a técnica representa uma alternativa muito menos agressiva do que uma colostomia.
— Não é a bolsinha. Ele vai ficar com uma sonda no umbigo e, através dela, vai fazer a limpeza. Depois disso, ele consegue evacuar normalmente. É uma opção muito melhor para ele — explica.
Risco constante
A gravidade do quadro preocupa os médicos.
Antes da consulta em Curitiba, Vitor precisou passar por três procedimentos de retirada de fecaloma. De acordo com Solange, o especialista alertou que a situação poderia ter evoluído para consequências ainda mais graves.
— O médico falou que, se não tivesse feito essas retiradas antes, ele não sabe como não evoluiu para uma infecção generalizada. Disse que o intestino poderia até perfurar — relata.
Mesmo assim, a realidade continua sendo dura. Sem recursos suficientes para manter os procedimentos periódicos e, ao mesmo tempo, juntar dinheiro para a cirurgia, a família vive uma corrida contra o tempo.
A última limpeza intestinal foi realizada há cerca de um mês. Desde então, Vitor voltou a ficar aproximadamente 40 dias sem evacuar.
— Ou a gente junta dinheiro para a cirurgia ou paga os procedimentos. Não conseguimos fazer as duas coisas ao mesmo tempo — desabafa a mãe.
Cirurgia custa cerca de R$ 20 mil
O orçamento apresentado à família gira em torno de R$ 20 mil, valor que inclui cirurgia, internação, deslocamento e estadia em Curitiba.
Segundo Solange, o médico tentou reduzir os custos ao máximo.
— Ele conseguiu um valor muito menor do que seria normalmente. Fez praticamente um pacote. Mesmo assim, para nós continua sendo impossível pagar.
A preocupação aumenta porque o orçamento atual tem validade apenas até o fim deste mês. Caso a cirurgia não seja realizada agora, um novo orçamento precisará ser feito.
E o SUS?
A família também buscou ajuda por meio da Defensoria Pública e conseguiu uma consulta pelo Sistema Único de Saúde no Hospital Pequeno Príncipe, marcada para o dia 2 de julho.
No entanto, a esperança veio acompanhada de uma nova incerteza.
Segundo Solange, ao procurar informações sobre os próximos passos, recebeu a orientação de que, após a consulta, o filho entraria novamente em uma fila de espera para a cirurgia, ainda sem previsão de atendimento.
— Me informaram que ele passaria por consulta, mas depois entraria em outra fila, sem data definida para operar. Enquanto isso, ele continuaria precisando dos procedimentos e sofrendo com tudo isso — afirma.
Uma infância interrompida
A rotina de Vitor está longe de ser a de uma criança comum.
Ao longo dos anos, o problema intestinal provocou dores, desconforto, episódios de escape fecal e situações constrangedoras na escola e em atividades do dia a dia. A doença também trouxe impactos emocionais para toda a família.
Agora, a cirurgia representa não apenas um tratamento médico, mas a possibilidade de devolver ao menino algo simples e fundamental: uma infância sem sofrimento.
Como ajudar
Diante da urgência do caso, a família mantém a campanha de arrecadação ativa.
As doações podem ser feitas via Pix pela chave CPF:
045.350.569-43
Em nome de Solange dos Santos
Além das contribuições financeiras, a família pede ajuda na divulgação da campanha.
— Qualquer valor ajuda. E compartilhar a história dele também ajuda muito. A gente só quer dar uma chance para o Vitor ter uma vida melhor — finaliza Solange.
Enquanto a família corre contra o relógio para reunir os recursos necessários, Vitor segue esperando. Esperando pela cirurgia. Esperando pelo alívio. Esperando pela oportunidade de fazer algo que, para a maioria das pessoas, acontece sem esforço algum: viver sem dor.