CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Novo tarifaço dos EUA pode atingir um terço das exportações brasileiras; veja impacto para Cascavel

Publicado em

A avaliação decorre da lista preliminar de exceções apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que mantev...
Imagem referente a Novo tarifaço dos EUA pode atingir um terço das exportações brasileiras; veja impacto para Cascavel
Foto: Reprodução/CGN

Por Luiz Haab

Atualizado em

A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra produtos brasileiros trouxe preocupação para diversos setores da economia nacional, mas, em um primeiro momento, as principais commodities produzidas em Cascavel e no Oeste do Paraná — especialmente grãos e proteínas animais — não devem sofrer impactos diretos das medidas em discussão.

A avaliação decorre da lista preliminar de exceções apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que manteve fora da proposta de sobretaxação alguns dos itens mais estratégicos para o abastecimento e a indústria norte-americana, incluindo carne bovina, café, frutas e outros produtos relevantes da pauta agroexportadora brasileira.

Embora o anúncio tenha provocado reações no mercado e acendido um sinal de alerta para o comércio exterior, especialistas observam que a região de Cascavel, um dos maiores polos agroindustriais do país, tende a atravessar esta primeira fase da disputa com menor exposição aos riscos imediatos.

Pressão sobre o Brasil pode atingir mais de um terço das exportações

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que, caso a proposta americana seja confirmada, cerca de um terço das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderá enfrentar tarifas adicionais que elevariam a tributação total para até 37,5%.

O movimento ocorre após a conclusão de uma investigação conduzida pelo governo americano, que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos. Entre os temas questionados estão o funcionamento do PIX, políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal, questões envolvendo propriedade intelectual, regulamentação de plataformas digitais e medidas de combate à corrupção.

Como resposta, o USTR propôs uma sobretaxa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. Em alguns casos, essa cobrança poderá ser acumulada com outras tarifas já existentes, ampliando significativamente o custo de entrada dessas mercadorias no mercado norte-americano.

Oeste do Paraná acompanha cenário com cautela

Apesar da repercussão nacional, o setor produtivo do Oeste do Paraná observa o tema com relativa tranquilidade neste primeiro momento. Isso porque a base econômica regional está fortemente concentrada em cadeias como soja, milho, aves, suínos e derivados agroindustriais que, até agora, não aparecem entre os principais alvos das medidas anunciadas.

A região de Cascavel se consolidou nas últimas décadas como um dos maiores centros produtores de alimentos do Brasil, com forte participação no mercado internacional. Qualquer mudança nas regras do comércio global naturalmente gera preocupação, mas a configuração atual das tarifas sugere que os efeitos mais severos tendem a recair sobre segmentos industriais específicos e determinados produtos de transformação.

Ainda assim, lideranças do setor alertam que o cenário exige monitoramento constante. Alterações futuras na lista de exceções ou uma eventual ampliação das restrições comerciais podem modificar rapidamente o ambiente de negócios.

Produtos industriais aparecem entre os mais vulneráveis

Entre os itens que poderão enfrentar a maior carga tributária está o ferro-gusa, produto utilizado pela indústria siderúrgica americana. Caso a proposta avance sem alterações, a alíquota incidente sobre o produto poderá alcançar 37,5%.

Também aparecem entre os potenciais afetados açúcar de cana, sebo industrial, álcool etílico e molduras de madeira. Outro grupo de produtos poderá sofrer aumento mais moderado de tributação, com tarifa adicional de 12,5%, incluindo minério de ferro, silício, óleos essenciais cítricos, quartzito e determinados tipos de pasta química de madeira.

Segundo as projeções da CNI, mais da metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderá ficar sujeita a algum tipo de sobretaxa quando consideradas também medidas setoriais já em vigor na legislação comercial americana.

Disputa ainda está longe do desfecho

Apesar da preocupação gerada pelo anúncio, as medidas ainda não entraram em vigor. A proposta deverá passar por etapas de consulta pública e audiências antes de uma decisão definitiva do governo americano.

Esse processo abre espaço para negociações diplomáticas, manifestações do setor produtivo e possíveis ajustes na lista de produtos atingidos.

Para o agronegócio do Oeste paranaense, o momento é de atenção, mas não de alarme. A leitura predominante é que os principais motores da economia regional permanecem, por ora, protegidos das medidas mais duras. O desafio, entretanto, será acompanhar os próximos capítulos de uma disputa comercial que tem potencial para redefinir fluxos de exportação e influenciar a competitividade brasileira em um dos mercados mais importantes do mundo.

Veja também

Notícias Mais Acessadas Agora

Notícias Mais Lidas