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‘Ela foi lançada no vazio’: especialista de Cascavel aponta falhas que levaram à tragédia que matou jovem em ponte

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As informações divulgadas até o momento apontam que a jovem teria sido lançada da estrutura – localizada na zona rural de Limeira (SP), sem es...
‘Ela foi lançada no vazio’: especialista de Cascavel aponta falhas que levaram à tragédia que matou jovem em ponte

Por Luiz Haab

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A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jumping na chamada “Ponte do Esqueleto” continua gerando forte repercussão nacional e internacional. O caso, registrado no último dia 13 de junho, é investigado pela Polícia Civil e levantou questionamentos sobre protocolos de segurança, qualificação dos organizadores e fiscalização de atividades de aventura.

As informações divulgadas até o momento apontam que a jovem teria sido lançada da estrutura – localizada na zona rural de Limeira (SP), sem estar conectada à corda principal de segurança. As imagens do acidente chocaram o país e alimentaram o debate sobre a responsabilidade de empresas e instrutores que oferecem experiências radicais.

Para analisar o caso sob uma perspectiva técnica, a CGN recebeu o guia de montanha e instrutor de esportes de aventura Carlos Eduardo Rocha da Silva, que atua há 15 anos no setor. Segundo ele, as imagens conhecidas até agora indicam uma sucessão de falhas humanas que poderiam ter sido evitadas com protocolos básicos de segurança.

“A primeira coisa que chama atenção é que havia três pessoas operando o equipamento e a corda principal não estava conectada. Além disso, deveriam existir outros sistemas de segurança conectados à vítima antes da liberação para o salto”, afirmou.

Carlos explicou que, em atividades verticais, é comum utilizar sistemas de “autosseguro”, que mantêm a pessoa protegida mesmo durante a preparação dos equipamentos.

“Primeiro a pessoa é conectada ao autosseguro. Só depois ela é conectada à linha principal. Quando tudo está pronto e conferido, aí sim o autosseguro é retirado. Se esse protocolo tivesse sido seguido corretamente, a ausência da conexão principal provavelmente teria sido percebida.”

Outro ponto destacado pelo especialista foi a chamada regra dos “seis olhos”, amplamente utilizada em atividades de montanhismo.

“Eu checo o meu equipamento, outra pessoa checa o meu equipamento e eu também confiro o dela. Nunca se deve confiar apenas em uma única verificação. Quanto mais conferências, menor o risco de erro.”

Segundo Carlos, a própria cultura de registros para redes sociais pode se tornar um fator de distração em momentos críticos.

“Hoje muitas pessoas estão mais preocupadas em mostrar a experiência do que em viver a experiência. Em atividades de risco, o foco precisa estar totalmente na segurança.”

Durante a entrevista, ele também chamou atenção para outro aspecto que vem sendo debatido após o acidente: a falta de regulamentação específica para determinadas modalidades de aventura.

“Não existe um consenso técnico nem equipamentos desenvolvidos especificamente para algumas dessas atividades. Muitas vezes são adaptações de equipamentos de outras modalidades.”

O instrutor alertou que participantes devem questionar operadores sobre certificações, equipamentos e capacitação da equipe antes de aceitar participar de qualquer atividade.

“Se o instrutor se incomodar quando você pedir informações sobre certificação e segurança, o melhor é ir embora. É preferível perder o passeio do que correr um risco desnecessário.”

Enquanto as investigações seguem em andamento para determinar responsabilidades criminais e eventuais irregularidades na operação do salto, o caso de Maria Eduarda já se tornou um marco na discussão sobre segurança em esportes de aventura no Brasil.

Para Carlos, a principal lição é simples e direta:

“As pessoas não contratam uma empresa para fazer um passeio bonito. Elas contratam uma empresa para voltar para casa em segurança.”

Produção: Isabella Chiaradia

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