‘Como ficam os alunos e os pais que precisam trabalhar?’: secretária de Educação fala sobre possível greve na rede municipal
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Por Luiz Haab
Atualizado em: 12/06/2026 às 18:39
A possível greve dos professores da Rede Municipal de Educação de Cascavel deixou de ser apenas uma preocupação da categoria e passou a mobilizar milhares de famílias que dependem diariamente das escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). Na próxima segunda-feira, os educadores se reúnem em assembleia para decidir se paralisam as atividades, e a incerteza já gera apreensão entre pais e responsáveis.
Em entrevista à CGN, a secretária municipal de Educação, Gislaine Buraki, reconheceu que uma eventual paralisação pode causar impactos significativos na rotina das famílias, especialmente daquelas que dependem da rede municipal para deixar os filhos em segurança enquanto trabalham.
Segundo a secretária, a Prefeitura tem buscado evitar esse cenário por meio de negociações que envolvem não apenas a Secretaria de Educação, mas também outros setores da administração municipal.
“Nós estivemos em tratativas com a Secretaria de Finanças, Secretaria de Planejamento e Procuradoria-Geral do Município. Foram mais de sete reuniões buscando alternativas e diálogo com a categoria”, destacou.
O que acontece se a greve for aprovada?
Caso os professores decidam pela paralisação, a Prefeitura afirma que o primeiro passo será analisar toda a documentação apresentada pelo sindicato para verificar a legalidade do movimento.
De acordo com Gislaine, a administração municipal exigirá o cumprimento dos prazos legais e avaliará juridicamente cada etapa da eventual greve.
“Nós vamos solicitar todos os atos e encaminhamentos para fazer uma análise jurídica desse procedimento. Eles precisam informar toda a organização da paralisação dentro dos prazos previstos em lei”, explicou.
A secretária também afirmou que o Município acompanhará de perto a situação para informar a população sobre os desdobramentos.
Atendimento mínimo pode ser exigido
Uma das principais dúvidas dos pais é sobre o funcionamento das escolas e CMEIs em caso de greve.
Questionada sobre a existência de um atendimento mínimo obrigatório, Gislaine explicou que a legislação prevê mecanismos para preservar serviços considerados essenciais, mas ressaltou que tudo dependerá da forma como a eventual paralisação será organizada.
“Vai depender, primeiramente, da forma com que será feita essa decisão. Caso eles optem pela greve, nós vamos analisar toda a documentação e fazer as tratativas jurídicas necessárias”, afirmou.
A declaração indica que a Prefeitura poderá recorrer aos instrumentos legais disponíveis para garantir o atendimento à população, caso a paralisação seja confirmada.
Sem nova proposta no momento
Apesar da preocupação com os impactos para estudantes e famílias, a secretária reforçou que o Município não possui, neste momento, uma contraproposta para apresentar ao sindicato.
Ela argumenta que a administração está concentrando esforços em outras frentes consideradas prioritárias, como contratação de profissionais, pagamento de licenças-prêmio e melhorias estruturais nas escolas.
“Infelizmente, neste momento, nós não temos uma contraproposta para o sindicato. Precisamos ter cautela e uma análise responsável da situação financeira do município”, afirmou.
Entre as ações anunciadas pela gestão estão o pagamento de licenças-prêmio a partir do segundo semestre e a aquisição de novos mobiliários para as unidades escolares.
Semana decisiva para a educação municipal
Enquanto professores avaliam a possibilidade de cruzar os braços, milhares de pais aguardam a decisão da assembleia de segunda-feira para saber como ficará a rotina da próxima semana.
A expectativa é que, após a votação da categoria, a Prefeitura se manifeste oficialmente sobre os próximos passos e sobre eventuais medidas para garantir o atendimento dos alunos.
Até lá, o clima é de incerteza para quem depende diariamente da rede municipal de ensino.
A decisão dos professores poderá impactar não apenas as salas de aula, mas também a organização de milhares de famílias cascavelenses que contam com as escolas e CMEIs para conciliar trabalho, cuidado e educação dos filhos.