‘O fenômeno existe’: ufólogo fala à CGN sobre caso de Campo Largo e faz revelação surpreendente
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Por Luiz Haab
Atualizado em: 10/06/2026 às 17:14
Uma luz que parecia cercada de mistério sobrevoando uma área montanhosa de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, foi suficiente para provocar um dos maiores debates sobre ufologia dos últimos anos no Brasil. O vídeo, compartilhado por um influenciador digital e visto por milhões de pessoas, dividiu opiniões, gerou teorias, mobilizou investigadores amadores e transformou as redes sociais em um verdadeiro campo de batalha entre céticos e entusiastas da vida extraterrestre.

Mas afinal: o que realmente apareceu nos céus do Paraná? Para o ufólogo, historiador e pesquisador Hernán Mostajo, diretor do Museu Internacional de Ufologia, História e Ciência, a resposta exige cautela.
“Todas as fortes indicações apontam que houve um grande equívoco na interpretação daquilo que foi registrado. Mas isso não diminui a importância do debate que foi aberto”, afirma.
A declaração pode frustrar quem esperava a confirmação de uma nave alienígena, mas revela um aspecto ainda mais intrigante: o caso de Campo Largo acontece justamente em um momento em que governos e agências espaciais passaram a tratar fenômenos aéreos não identificados com mais seriedade.
A era dos UAPs
Durante décadas, a palavra “Ovni” carregou um forte estigma associado a teorias conspiratórias e ficção científica. Hoje, porém, a terminologia mudou.
O governo dos Estados Unidos passou a utilizar a sigla UAP (Unidentified Anomalous Phenomena, ou Fenômenos Anômalos Não Identificados), classificando ocorrências registradas por radares, sensores militares e pilotos que ainda não possuem explicação definitiva.
Desde 2021, relatórios oficiais apresentados ao Congresso americano passaram a admitir centenas de ocorrências sem solução conclusiva.
A própria Nasa criou, em 2022, um grupo independente para analisar fenômenos anômalos registrados nos céus. Em relatório divulgado posteriormente, a agência reconheceu que existem casos que permanecem sem explicação, embora não haja evidência de origem extraterrestre.
Para Mostajo, a mudança de postura representa um marco histórico.
“A ufologia não é uma ciência. Ela é um estudo. Quem vai responder se existe vida inteligente fora da Terra é a ciência. Mas a ufologia ajuda a reunir perguntas e evidências que merecem investigação.”
‘O fenômeno existe. A origem continua desconhecida.’
Uma das declarações mais contundentes do pesquisador durante a entrevista foi justamente separar o fenômeno da interpretação popular.
“O fenômeno existe, ele é real. O que nós não sabemos é a sua origem.”
Segundo ele, diversos registros analisados por militares americanos, europeus e russos apresentam comportamentos considerados incomuns para a tecnologia conhecida atualmente.
São relatos de objetos capazes de realizar manobras extremas, acelerar rapidamente ou desaparecer dos radares.
Esse é justamente o motivo pelo qual o assunto deixou de ser tratado exclusivamente como curiosidade e passou a despertar interesse científico.
O problema das redes sociais
Se por um lado o caso de Campo Largo colocou milhões de pessoas para olhar novamente para o céu, por outro revelou o lado mais agressivo da internet.
O influenciador responsável pela gravação acabou se afastando das redes após sofrer ataques e acusações.
Mostajo considera que esse comportamento representa um dos maiores riscos para o estudo sério do tema.
“Não cabe a ninguém julgar a pessoa. O que interessa para a pesquisa é a imagem registrada. O aspecto pessoal não muda a análise do fenômeno.”
Ele também critica o que chama de “carnaval ufológico”, quando conclusões precipitadas substituem a investigação.
“O frenesi faz com que todos queiram respostas imediatas. E a ciência não funciona assim.”
O que a Nasa e os militares americanos descobriram?
Apesar de não confirmar qualquer nave extraterrestre, a Nasa reconhece que existem fenômenos atmosféricos e aéreos ainda não totalmente compreendidos.
Nos Estados Unidos, relatórios oficiais analisaram centenas de ocorrências envolvendo pilotos militares.
A maioria acabou recebendo explicações convencionais, como balões, drones, fenômenos atmosféricos ou erros de interpretação.
Entretanto, uma parcela dos registros continua sem explicação definitiva. Esse cenário é suficiente para manter vivo um debate que atravessa gerações.
“Talvez estejamos vivendo um momento de transformação na forma como a humanidade encara essas questões”, avalia Mostajo.
E se a vida extraterrestre fosse confirmada amanhã?
A pergunta inevitavelmente surge: qual seria o impacto para a humanidade? Para o pesquisador, o efeito seria muito maior do que apenas científico.
“O principal impacto seria psicossocial.”
Ele acredita que uma confirmação oficial provocaria mudanças profundas na religião, na economia, na política, na educação e até na forma como a humanidade enxerga a si mesma.
“Como ficam os nossos dogmas? Como ficam as crenças construídas ao longo de séculos? Seria uma mudança gigantesca.”
A pergunta que continua sem resposta
Após mais de duas décadas estudando relatos, documentos e casos considerados misteriosos, Mostajo foi confrontado com uma questão inesperada: qual é a pergunta que ele próprio ainda não conseguiu responder?
A resposta surpreendeu:
“Quem é Deus?”
Segundo ele, essa é a grande incógnita que permanece acima de qualquer discussão sobre extraterrestres.
“Está em nós? Está nos nossos átomos? Está na física do universo? Essa é a pergunta que eu gostaria de responder um dia.”
Entre a curiosidade e a evidência
O caso de Campo Largo talvez não tenha revelado uma nave alienígena.
Mas revelou algo igualmente interessante: o fascínio humano pelo desconhecido continua mais vivo do que nunca.
Enquanto a Nasa investiga fenômenos inexplicados, militares registram ocorrências sem resposta e cientistas ampliam a busca por vida em outros planetas, uma certeza permanece.
Ainda sabemos muito pouco sobre o universo que habitamos. E talvez seja justamente essa falta de respostas que continue atraindo milhões de pessoas para uma pergunta tão antiga quanto a própria civilização:
Estamos realmente sozinhos?