Fundação ligada à UTFPR vira alvo de investigação após denúncia
Publicado em

Por Redação CGN
Atualizado em: 09/06/2026 às 09:57
O Ministério Público do Paraná decidiu aprofundar uma investigação sobre suspeitas envolvendo a antiga gestão da FUNTEF, fundação de apoio ligada à Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em Curitiba.
A CGN teve acesso a materiais que mostram que o caso começou a partir de uma denúncia com uma série de apontamentos sobre o funcionamento da fundação em gestões anteriores. O relato cita suspeitas sobre pagamentos, contratos, viagens, atuação interna do setor jurídico e até episódios de assédio moral ou sexual que teriam ocorrido dentro da entidade.
A apuração ainda está em andamento. Isso significa que, neste momento, não há conclusão sobre culpa ou confirmação das irregularidades narradas. O que existe é uma investigação aberta para entender se os fatos relatados realmente aconteceram, quem teria participado e se houve prejuízo aos cofres da fundação ou desvio da finalidade da entidade.
Fundação atua junto à UTFPR
A FUNTEF é uma fundação de apoio à educação, pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico da UTFPR. Na prática, esse tipo de entidade pode atuar em projetos, cursos, vestibulares, pesquisas, eventos, contratos e outras atividades ligadas ao ambiente universitário.
Por isso, quando surge uma denúncia envolvendo pagamentos, contratações e uso de recursos dentro de uma fundação desse tipo, o caso ganha relevância pública. São estruturas que, embora tenham funcionamento próprio, lidam com atividades ligadas ao ensino, à pesquisa e à universidade.
Denúncia fala em pagamentos cruzados
Entre os pontos levantados no material analisado pela CGN está a suspeita de que funções internas teriam sido usadas para permitir pagamentos entre pessoas ligadas à fundação e à UTFPR.
A denúncia afirma que cargos relacionados a cursos e vestibulares teriam sido ocupados ou organizados de forma a permitir o recebimento de valores por pessoas que já tinham vínculos com a universidade ou com a própria fundação.
O relato também aponta possível conflito de interesses. Em linguagem simples, a suspeita é de que pessoas em posições de comando ou influência poderiam ter se beneficiado de decisões tomadas dentro da própria estrutura que administravam.
Essas informações, porém, ainda são alegações. Caberá ao Ministério Público verificar documentos, ouvir pessoas e checar se os pagamentos foram legais ou se houve alguma irregularidade.
Contratações também entraram na mira
A CGN teve acesso à denúncia que também cita suspeitas envolvendo contratações de uma empresa de impressões. O relato afirma que a empresa teria vencido licitações por vários anos e levanta a possibilidade de favorecimento em serviços ligados a vestibulares, concursos e processos seletivos.
O material ainda menciona a proximidade física da empresa com a universidade como um dos pontos usados pelo denunciante para sustentar a suspeita. Esse detalhe, sozinho, não comprova irregularidade, mas deve ser analisado junto com contratos, valores, concorrentes, orçamentos e regras dos processos de contratação.
Viagens, reembolsos e despesas
Outro trecho da denúncia trata de viagens, reembolsos, hospedagens e diárias. O relato sugere que recursos da fundação poderiam ter sido usados para custear despesas de forma indevida, inclusive envolvendo pessoas ligadas a serviços terceirizados.
Esse é um ponto que costuma exigir análise documental detalhada. Para esclarecer a situação, o Ministério Público poderá verificar notas fiscais, autorizações, comprovantes, justificativas das viagens e a relação dessas despesas com as atividades da fundação.
Relatos de assédio dentro da fundação
A parte mais delicada da denúncia envolve relatos internos de assédio moral e até sexual. Segundo o material analisado pela CGN, colaboradoras teriam buscado apoio dentro da fundação no início da antiga gestão, mas as reclamações não teriam avançado.
A denúncia afirma ainda que teria havido pressão para que o caso não fosse levado adiante. Esse ponto é especialmente sensível, porque envolve pessoas que podem ter se sentido intimidadas ou desamparadas dentro do ambiente de trabalho.
Por isso, a apuração deve tratar o tema com cuidado, ouvindo os envolvidos e verificando se houve registros, comunicações internas, pedidos de providência ou omissão por parte de setores responsáveis.
Atual gestão comunicou apuração interna
O material do Ministério Público ao qual a CGN teve acesso informa que a própria FUNTEF comunicou a abertura de uma apuração interna para reunir informações e documentos sobre os fatos narrados.
Isso mostra que a fundação, na gestão atual, também passou a buscar esclarecimentos sobre o que teria ocorrido anteriormente. A partir disso, o Ministério Público entendeu que a investigação deveria continuar e ser aprofundada.
O que o Ministério Público quer esclarecer
Com a investigação ampliada, o Ministério Público poderá solicitar documentos, ouvir pessoas, analisar contratos, pagamentos, viagens, comunicações internas e informações da FUNTEF e da UTFPR.
O objetivo é entender se houve irregularidades administrativas, favorecimentos, pagamentos indevidos, uso inadequado de recursos, omissão diante de denúncias internas ou desvio da finalidade da fundação.
Ninguém é considerado culpado
A abertura e o aprofundamento da investigação não significam que houve confirmação das suspeitas ou que alguém seja considerado culpado. Todos os fatos ainda precisam ser apurados pelas autoridades competentes.
A CGN reforça que o espaço permanece aberto para manifestação da FUNTEF, da UTFPR, dos antigos dirigentes citados na denúncia e de demais envolvidos que queiram apresentar esclarecimentos, documentos ou posicionamento sobre o caso.