"É melhor eu te prender do que o senhor ficar livre aqui"; PM de folga localizou motorista de caminhão
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Por Fábio Wronski
Atualizado em: 08/06/2026 às 15:28
A equipe da CGN teve acesso ao depoimento do policial militar que estava de folga e prendeu o motorista responsável pela morte do pequeno Carlos Eduardo Camargo dos Santos, de apenas 12 anos, atropelado neste domingo (7) no Bairro Morumbi, em Cascavel. O caso chocou a cidade e o relato do policial mostra detalhes do momento da prisão e da reação do suspeito.
O atropelamento aconteceu por volta das 17h, na esquina das ruas Serra da Borboleta e Serra do Vento. Segundo o policial, ele estava em casa quando foi avisado pela filha, de 11 anos, que um caminhão havia passado por cima de uma criança que brincava na rua. Ao chegar ao local, o militar reconheceu a vítima e percebeu que o motorista havia fugido.
O policial relatou que, ao subir a rua para procurar o caminhão, encontrou o veículo travado por outros carros. O motorista tentava pedir ajuda em um bar para liberar a passagem. O militar então fez a abordagem:
“Falei, senhor, o senhor passou em cima de uma criança lá atrás. Ele, não, está brincando. Falei, não, passou. Ele, não, então vou desligar o caminhão. Desligou o caminhão, desceu até o local, constatou o fato. Ele falou, mas eu não vi. Falei, não, tudo bem que o senhor não viu. Mas o senhor passou em cima. Todo mundo aqui viu.”
O policial afirmou que se identificou e deu voz de prisão ao motorista, que reagiu com incredulidade. Diante da aglomeração de populares revoltados, o militar precisou algemar o suspeito para evitar um linchamento:
“É melhor eu te prender do que o senhor ficar livre aqui. […] Foi o momento que eu tive que usar de força com ele, porque já começou a juntar populares para agredir ele. […] Eu consegui conter a população para não linchar ele.”
No depoimento, o policial confirmou que o caminhão esmagou a cabeça do menino, causando morte instantânea. Ele também afirmou que as crianças costumavam brincar naquela rua, incluindo sua própria filha, que era amiga da vítima.
Sobre as condições do motorista, o militar disse ter percebido cheiro de álcool:
“Odor etílico? Sim.”
O condutor foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil e preso por homicídio e embriaguez ao volante. O documento com o depoimento do policial foi acessado pela CGN nesta segunda-feira (8).