MP abre inquérito para apurar suspeita de percevejos em ônibus da Viação Garcia
Publicado em

Por Redação CGN
Atualizado em: 07/06/2026 às 15:29
O Ministério Público do Paraná instaurou, em Maringá, um Inquérito Civil para apurar uma possível infestação por insetos em ônibus da Viação Garcia. O procedimento foi aberto em 1º de junho de 2026 e trata de um caso de saúde pública envolvendo uma viagem no trajeto entre São José dos Campos, em São Paulo, e Maringá, no Paraná.
A partir de agora, o Ministério Público poderá reunir documentos, pedir esclarecimentos, ouvir envolvidos e verificar se houve falha na prestação do serviço aos passageiros.
CGN teve acesso a relatório da Vigilância
A CGN teve acesso a um relatório da Gerência de Vigilância de Zoonoses e Vetores de Maringá que traz detalhes importantes sobre a apuração. O material foi produzido em resposta a um Ofício solicitado pela 14ª Promotoria de Justiça de Maringá.
A vistoria ocorreu em 19 de fevereiro de 2026, na garagem da Viação Garcia, localizada na Rua José Ternes Sobrinho, na Vila Cafelândia. Participaram da inspeção servidores municipais, incluindo agentes fiscais e um médico veterinário.
Segundo o relatório obtido pela CGN, os servidores inspecionaram alguns ônibus de transporte rodoviário de passageiros que estavam estacionados no local. O material também registra que a fiscalização ocorreu sem prévio agendamento de data ou horário.
Empresa teria relatado que problema era conhecido havia meses
Durante a vistoria, um colaborador do Grupo GBS, do qual a Viação Garcia faz parte, informou aos servidores que a infestação por percevejos-de-cama em veículos da empresa já era de conhecimento do grupo havia meses.
O relatório ao qual a CGN teve acesso também aponta que o assunto estaria disseminado em redes sociais. Diante da situação, a empresa informou que havia contratado uma firma especializada em controle de pragas para atuar nos veículos.
Aos fiscais, foram apresentados documentos relacionados ao serviço, como alvará sanitário, notas fiscais, certificado de execução e anotação de função técnica do profissional responsável.
Poltronas eram desmontadas para tratamento

O material analisado pela CGN descreve que diversos ônibus estacionados na garagem estavam sem assentos e encostos das poltronas. As peças eram retiradas para tratamento de controle de pragas e, depois, remontadas.
As imagens anexadas ao relatório mostram ônibus com poltronas desmontadas, assentos e encostos separados para tratamento, além de veículos já remontados. Em uma das fotos, um ônibus aparece identificado como abastecido e lavado antes de ser liberado para uso.
Casos seriam mais frequentes em poltronas leito
O relatório encaminhado ao Ministério Público registra três pontos considerados relevantes pelos fiscais. O primeiro é que a infestação por percevejos-de-cama ocorreria principalmente em veículos da Viação Garcia, e não em carros de outras empresas do Grupo GBS.
O segundo é que, geralmente, os ônibus afetados tinham como destino o Estado de São Paulo. O terceiro é que as poltronas atingidas eram da categoria leito, e não convencional.
Esse último ponto chamou a atenção dos servidores. O relatório destaca que as poltronas leito têm valor superior ao de poltronas convencionais, o que tornou o caso ainda mais curioso para a equipe de fiscalização.

O que causa as picadas do percevejo?
As picadas são causadas pelo percevejo-de-cama, um pequeno inseto que se alimenta de sangue. Ele costuma agir quando a pessoa está em repouso e se esconde em locais próximos ao contato prolongado com o corpo, como colchões, sofás, poltronas e frestas de estofados.
No caso dos ônibus, esse detalhe ajuda a explicar por que o tratamento descrito no relatório envolvia justamente a retirada de assentos e encostos das poltronas. Essas partes podem ter costuras, frestas e áreas internas onde insetos pequenos conseguem se alojar.
As picadas costumam provocar coceira, irritação localizada e reações alérgicas leves. Em situações mais raras, podem causar irritações cutâneas mais intensas.
O que causa uma infestação?
Uma infestação por percevejos não acontece necessariamente por sujeira. Esses insetos podem se espalhar porque conseguem “pegar carona” em roupas, malas, bagagens, móveis, estofados e outros objetos.
Em locais de grande circulação de pessoas, como hotéis, rodoviárias, ônibus e veículos usados em viagens longas, o risco de transporte involuntário aumenta. Uma mala ou peça de roupa contaminada pode levar o inseto de um ambiente para outro.
Por isso, a infestação pode surgir mesmo em locais aparentemente limpos. O problema está na facilidade com que o percevejo se esconde e se desloca sem ser percebido.
Relatório diz que inseto não transmite doenças
Apesar do incômodo causado pelas picadas, a Vigilância de Zoonoses informou no relatório que o percevejo-de-cama, conhecido tecnicamente como Cimex lectularius, não é considerado vetor de doenças para humanos.
De acordo com o material obtido pela CGN, as principais reações costumam ser leves, como coceira e alergias localizadas. O relatório cita, porém, que em situações raras podem ocorrer irritações cutâneas mais graves.
Apuração continua
Com o inquérito instaurado em 1º de junho, o Ministério Público deve apurar se houve falha na prestação do serviço, quais veículos foram afetados, quais medidas foram adotadas pela empresa e se passageiros foram expostos a risco ou constrangimento durante as viagens.
A Viação Garcia ainda pode ser chamada a apresentar esclarecimentos formais no procedimento.
Empresa pode se manifestar
A instauração do Inquérito Civil não significa que houve conclusão sobre irregularidade ou responsabilidade da empresa. Nesta fase, o Ministério Público apura os fatos, reúne informações e pode solicitar novos esclarecimentos.
A CGN teve acesso ao relatório da Vigilância de Zoonoses de Maringá, que aponta que a empresa passou por inspeção sem agendamento prévio, apresentou documentação relacionada ao controle de pragas e informou que havia contratado uma empresa especializada para tratar o problema.
O espaço permanece aberto para manifestação da Viação Garcia, caso a empresa queira apresentar esclarecimentos, complementar informações ou se posicionar sobre o caso.