Ele foi chamado no portão e acabou baleado; agora dois homens vão a júri em Cascavel
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Por Redação CGN
O caso de um jovem baleado no Conjunto Abelha, em Cascavel, ganhou um novo capítulo meses depois da ocorrência que mobilizou equipes de socorro e segurança na Rua Padre Paulo Englert, no Bairro Interlagos.
Na época, em 7 de outubro de 2025, a CGN noticiou que um jovem de 22 anos havia sido atingido por disparo de arma de fogo e socorrido pelo Siate. A ocorrência, registrada por volta do início da tarde, chamou atenção de moradores da região e teve a presença da Polícia Militar, com isolamento da área.
Agora, a história avança para uma nova fase. A Justiça decidiu que dois homens acusados de participação no crime devem ser levados a julgamento pelo Tribunal do Júri, em Cascavel. Eles respondem por tentativa de homicídio qualificado.
A decisão não significa condenação. Na prática, a juíza entendeu que existem elementos suficientes para que o caso seja analisado por jurados populares.
Assista a matéria publicada pela CGN no dia do acontecimento:
O que a investigação aponta
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu no dia 7 de outubro de 2025, por volta das 12h50, na frente e nas dependências de uma residência localizada na Rua Padre Paulo Englert, no Interlagos. A vítima foi identificada como V.A.S.
Segundo a acusação, dois homens, identificados pelas iniciais E.C.T. e E.G.S., teriam ido até a casa da vítima acompanhados de dois adolescentes. A versão apresentada pelo MP é de que o grupo teria agido de forma combinada, com divisão de tarefas.
Ainda conforme a denúncia, um dos acusados teria chamado a vítima no portão sob o pretexto de conversar. Em seguida, outro teria pulado o portão e avançado contra o jovem. No momento em que a vítima tentou fugir, um adolescente teria efetuado os disparos.
O Ministério Público sustenta que o crime só não se consumou porque a vítima não foi atingida em região vital e recebeu atendimento médico.
“Queriam conversar”, mas vítima acabou baleada
A versão da vítima, registrada na decisão judicial, traz detalhes do medo vivido naquele momento. Segundo o relato, ele estava deitado quando ouviu alguém chamá-lo em frente à casa. Ao se aproximar, teria sido surpreendido pelos envolvidos.
O jovem contou que tentou escapar pulando o muro de um vizinho. Conforme o relato, um dos envolvidos teria incentivado os disparos, enquanto outro teria corrido atrás dele com um pedaço de madeira. A vítima também afirmou que, depois de conseguir voltar para casa, um dos acusados teria chutado a porta da residência tentando entrar.
A companheira da vítima, identificada no processo pelas iniciais N.V.P.R., também foi ouvida. Ela relatou ter visto o jovem caído e ouvido disparos. Segundo a decisão, ela puxou a vítima para dentro da casa e disse ter visto um dos acusados chutando a porta da residência.
Defesa nega participação
Os dois acusados negaram envolvimento direto no crime.
Um deles afirmou que não foi até a casa da vítima e que estava em um bar próximo ao local. Disse ainda que soube que um adolescente teria feito os disparos, mas alegou não ter visto a ação.
O outro acusado também negou participação na tentativa de homicídio. Ele relatou que estava em casa quando percebeu uma discussão entre a vítima e outro rapaz. Disse que ouviu um disparo e que pegou um pedaço de madeira para se defender, mas negou ter tentado agredir ou matar a vítima.
As defesas pediram que os acusados não fossem levados a júri. Também tentaram afastar as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público. No entanto, a Justiça entendeu que essas discussões devem ser analisadas pelo Conselho de Sentença, ou seja, pelos jurados.
Por que o caso vai para júri popular
A decisão é uma chamada sentença de pronúncia. Apesar do nome técnico, a ideia é simples: a Justiça analisa se há prova de que o crime aconteceu e se existem indícios de participação dos acusados.
Neste caso, a juíza considerou que há elementos suficientes para que o processo siga ao Tribunal do Júri. Entre os pontos citados estão boletim de ocorrência, laudo de lesões corporais, autos de apreensão, depoimentos, relatório de investigação, vídeos, imagens e laudos de constatação.
A magistrada destacou que a vítima apresentou relato considerado firme e coerente desde a fase de investigação. Também apontou que a versão dela encontra apoio em parte das declarações da companheira, que presenciou momentos da ocorrência.
Crime é tratado como tentativa de homicídio qualificado
Os acusados foram pronunciados por tentativa de homicídio qualificado.
As qualificadoras mantidas para análise do júri são:
- recurso que dificultou a defesa da vítima, porque, segundo a acusação, o jovem teria sido chamado para uma suposta conversa e acabou surpreendido;
- uso de arma de fogo de uso restrito, já que o processo menciona projéteis de calibre 9mm.
O Ministério Público também pediu, em caso de condenação, o pagamento de indenização mínima de R$ 10 mil à vítima.
Dois adolescentes também aparecem no caso
A denúncia cita a participação de dois adolescentes na ação. A conduta deles, segundo o próprio documento, é apurada separadamente na Vara da Infância e Juventude.
O Ministério Público também pediu que uma adolescente testemunha fosse ouvida por meio de depoimento especial, procedimento usado para evitar que crianças e adolescentes sejam expostos novamente a situações traumáticas durante o andamento do processo.
Acusados seguem presos
Além de mandar o caso para o Tribunal do Júri, a Justiça manteve a prisão preventiva dos dois acusados. Na decisão, a juíza afirmou que os motivos que levaram à decretação da prisão continuam válidos, especialmente para garantia da ordem pública.
Com isso, eles não receberam o direito de recorrer em liberdade.
O que acontece agora
Com a pronúncia, o processo segue para a fase do Tribunal do Júri. Ainda não há condenação. O que existe, neste momento, é uma decisão dizendo que o caso deve ser julgado por jurados populares.
No julgamento, caberá aos jurados decidir se os acusados são culpados ou inocentes da tentativa de homicídio.
O caso que começou como uma ocorrência de jovem baleado no Conjunto Abelha, acompanhada pela CGN ainda no dia do crime, agora se transforma em um processo de grande gravidade, com dois acusados presos e uma acusação de tentativa de homicídio qualificado a ser analisada pelo júri em Cascavel.