Poluição e céu laranja: entenda como a inversão térmica afeta as cidades no frio
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Por Silmara Santos
Atualizado em: 28/05/2026 às 23:49
Com a chegada do outono e do inverno, quem observa as grandes cidades do Paraná pode notar o céu mais acinzentado e, em muitos dias frios, até um tom alaranjado no pôr do sol. Segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), esse fenômeno tem nome: inversão térmica. E ele não só muda a paisagem, mas também pode prejudicar a saúde, principalmente de quem tem problemas respiratórios.
Normalmente, o ar mais quente fica próximo ao solo, permitindo que os poluentes subam e se dispersem na atmosfera. Mas, durante a inversão térmica, acontece o contrário: uma camada de ar frio e pesado se instala perto da superfície, impedindo que o ar circule para cima. “Por isso, os poluentes ficam concentrados numa camada bem próxima à superfície, basicamente onde nós vivemos e respiramos”, explica Samuel Braun, meteorologista do Simepar.
A inversão térmica é mais frequente no outono e inverno, especialmente durante a madrugada e as primeiras horas da manhã, quando as massas de ar frio são mais intensas. Durante esse período, a poluição e a poeira ficam “presas” perto do chão, aumentando os riscos para quem sofre de doenças respiratórias, como asma e bronquite.
Quando o sol aparece e o ar começa a esquentar, o fenômeno perde força e os poluentes se dispersam. Mas, se o tempo seco e frio dura vários dias, a situação se agrava: a concentração de poluentes e materiais particulados, vindos até de incêndios florestais, pode reduzir a visibilidade e criar uma névoa seca, diferente da neblina comum.
A famosa cor alaranjada do céu ao entardecer em dias frios também tem explicação científica. Durante o nascer e o pôr do sol, a luz percorre um caminho maior na atmosfera. As cores azul e violeta se dispersam e somem da nossa visão, enquanto os tons vermelhos, laranjas e amarelos conseguem atravessar e chegam até nossos olhos. A poluição acumulada pela inversão térmica intensifica ainda mais essas cores.
O Simepar alerta: quem tem problemas respiratórios deve evitar atividades ao ar livre nos horários de maior concentração de poluentes. Além disso, agricultores precisam se atentar ao plantio de mudas, já que o frio e as geadas também impactam o desenvolvimento das plantas.
O documento do Simepar, consultado nesta semana, reforça a importância de monitorar a qualidade do ar e adotar cuidados extras durante o outono e inverno, especialmente nas grandes cidades do Paraná.
Com informações AEN.