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“Isso não é crueldade, não é maldade”, explicam biólogas sobre ataque que matou 34 ovelhas em Assis Chateaubriand

Em meio ao desespero, os animais correm de um lado para o outro tentando escapar da ameaça....

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Por Silmara Santos

Imagens impressionantes registradas nesse fim de semana mostram o momento em que uma onça invade um recinto e provoca pânico em um rebanho de ovelhas na comunidade São Pedro do Piquiri, em Assis Chateaubriand. Em meio ao desespero, os animais correm de um lado para o outro tentando escapar da ameaça.

Após o ataque, 34 ovelhas foram encontradas mortas. Segundo moradores, muitas delas não teriam morrido apenas por ferimentos, mas também em razão do estresse intenso e da correria causada durante a invasão. O prejuízo estimado se aproxima de R$ 20 mil e reacendeu o alerta sobre a presença de grandes predadores próximos às propriedades rurais.

A situação levou especialistas a explicarem por que episódios como esse têm se tornado mais frequentes e como produtores podem evitar novos ataques.

A bióloga da Diretoria de Patrimônio Natural do Instituto Água e Terra (IAT), Nathalia Colombo, destacou que a expansão humana e a redução dos habitats naturais estão mudando o comportamento dos animais silvestres.

“Esses animais, sem dispor de recursos nos ambientes naturais deles, acabam recorrendo aos animais de cultivo para obter alimentação. É por isso que esses avistamentos têm sido cada vez mais frequentes”, explicou.

Ela reforçou que o aumento dos registros não significa necessariamente crescimento da população desses felinos, mas sim uma consequência direta da perda de recursos naturais disponíveis para a fauna.

Nathalia também orientou produtores rurais sobre formas de prevenção. Entre as medidas indicadas estão cercas elétricas, iluminação, utilização de ruídos para afastar os animais e a manutenção dos rebanhos em estruturas totalmente fechadas.

“É importante manter os animais de cultivo em apriscos totalmente fechados, principalmente aqueles em situação de maternidade, que ficam mais vulneráveis aos ataques”, afirmou.

A especialista ainda orientou sobre como agir diante de um encontro com grandes felinos.

“A recomendação é se afastar lentamente, evitar correr, levantar os braços para parecer maior e fazer barulho. Se houver crianças pequenas, o ideal é pegá-las no colo para proteção”, destacou.

Sobre o comportamento do animal durante o ataque, a bióloga e coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu, Yara Barros, explicou que o episódio não está ligado a agressividade ou maldade do felino.

“Isso não é crueldade, não é maldade. É um frenesi alimentar que acontece quando um grande felino entra em um ambiente com muitas presas”, explicou.

Segundo ela, a descarga intensa de adrenalina faz com que o predador ataque diversos animais em sequência.

Yara reforçou que a principal forma de evitar situações semelhantes é investir em estruturas mais protegidas para o rebanho.

“A melhor maneira de manter as ovelhas seguras é que os animais durmam em apriscos totalmente fechados, com teto e telados, onde nenhum predador possa entrar”, ressaltou.

As autoridades ambientais seguem acompanhando o caso e realizando análises técnicas para confirmar detalhes do ataque e orientar os moradores da região.

Em nota oficial divulgada após a repercussão do caso, a Prefeitura de Assis Chateaubriand informou que acompanha a situação por meio da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente. O município confirmou que as imagens captadas pelas câmeras de monitoramento da propriedade identificaram um vulto compatível com um possível animal predador, porém ressaltou que a hipótese ainda passará por análise técnica dos órgãos competentes.

A administração municipal também informou que entrou em contato e encaminhou solicitação formal de apoio ao Instituto Água e Terra (IAT) de Toledo, buscando suporte técnico, orientações e uma eventual vistoria no local para averiguar os fatos. Ainda conforme a nota, a prefeitura segue acompanhando o caso e prestando o suporte necessário ao produtor rural afetado pelo prejuízo.

Com imagens cedidas pela Ric Record Oeste.

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