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O que aconteceu com uma idosa em Cascavel expõe um drama silencioso da saúde pública

Paciente aguardava cirurgia para tratar hérnia que comprime os pulmões; após piora no quadro, família procurou o Ministério Público e transferência ao HUOP foi confirmada em 14 de maio....

Publicado em

Por Redação CGN

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Esperar por uma cirurgia já é difícil. Esperar por cerca de dois anos, enquanto o problema de saúde avança, é ainda mais cruel. Foi o que aconteceu com uma idosa de 68 anos, moradora de Cascavel, que precisou da ajuda do Ministério Público e de uma decisão judicial para conseguir ser transferida ao Hospital Universitário do Oeste do Paraná, o HUOP.

A paciente aguardava uma cirurgia para tratar uma hérnia diafragmática, problema que, segundo os documentos apresentados no processo, comprime os pulmões. Não era uma situação simples, daquelas que podem esperar indefinidamente. O caso envolvia respiração, risco de agravamento e necessidade de atendimento especializado.

Mesmo assim, a espera teria se arrastado por cerca de dois anos.

No início deste mês, a situação piorou, a idosa precisou ser entubada e internada em uma UTI na UPA Brasília, em Cascavel. Como não havia leito disponível no município, ela foi transferida para o Instituto São Rafael, em Chopinzinho, no Sudoeste do Paraná.

A transferência garantiu um leito, mas não resolveu o drama da família. Conforme sustentou o Ministério Público, a paciente precisava estar em uma unidade com capacidade técnica e estrutura para realizar o procedimento de hernioplastia diafragmática via torácica. O HUOP, em Cascavel, era apontado como o local preferencial, por reunir as condições para avaliação e eventual cirurgia.

Família precisou procurar ajuda

Foi nesse momento que a família decidiu buscar socorro fora da fila comum da saúde.

A neta da paciente procurou o plantão do Ministério Público no dia 9 de maio e relatou a situação. A preocupação era que a idosa permanecesse internada em uma unidade sem condições de resolver a causa do problema e acabasse sendo submetida a medidas apenas paliativas.

O caso virou ação judicial no dia seguinte, 10 de maio. O Ministério Público pediu que o Estado do Paraná fosse obrigado a providenciar a transferência da paciente para um hospital adequado.

A Justiça aceitou parcialmente o pedido e determinou que o Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde e da Central de Regulação de Leitos, providenciasse a transferência da idosa, no prazo de 48 horas, para uma UTI em hospital com capacidade técnica para o tratamento, preferencialmente no HUOP.

Por que precisou chegar a esse ponto?

O caso chama atenção porque é parecido com o drama vivido por muitas famílias que dependem do SUS.

Primeiro vem a consulta. Depois, o exame. Depois, o encaminhamento. Então começa a espera. Meses passam. Às vezes, anos. A doença não espera junto. Ela avança.

No caso desta idosa, a família viu a situação sair de uma cirurgia aguardada para uma internação em UTI, entubação e necessidade urgente de transferência. Só depois da intervenção do Ministério Público e da decisão judicial houve confirmação de que ela foi levada ao hospital indicado.

A Justiça ainda não declarou quem é o culpado pela demora. Mas a ação foi movida contra o Estado do Paraná, justamente porque cabe ao poder público garantir acesso ao tratamento adequado dentro da rede pública de saúde.

Mais do que uma disputa judicial, o caso revela um problema sentido na prática por muita gente: quando a fila anda devagar demais, o paciente pode piorar antes de conseguir atendimento.

Promotoria confirmou transferência ao HUOP

Em manifestação protocolada no dia 18 de maio de 2026, a 9ª Promotoria de Justiça de Cascavel informou que manteve contato com a Regulação Estadual de Saúde e recebeu a confirmação de que a paciente foi transferida para o HUOP no dia 14 de maio de 2026.

No mesmo documento, o Ministério Público explicou que ainda precisava cumprir a determinação judicial de apresentar um laudo ou relatório médico atualizado sobre o estado de saúde da paciente.

Para isso, a Promotoria informou que iria expedir ofício ao HUOP requisitando as informações médicas. Também pediu a suspensão do processo por cinco dias, para aguardar o retorno dessa diligência.

Ou seja: a transferência foi realizada, mas o processo ainda não acabou. Agora, a expectativa é pelo relatório médico atualizado, que deverá indicar a real situação da paciente e os próximos passos do tratamento.

Um caso que pode representar muitos outros

A história desta idosa não é apenas sobre uma paciente. É sobre uma realidade que muitas famílias conhecem: a espera por cirurgia, a angústia por uma vaga, a sensação de impotência diante da regulação e o medo de que o atendimento só chegue quando o quadro já está grave.

Quantas pessoas estão hoje esperando por uma cirurgia em Cascavel e no Paraná? Quantas famílias estão tentando entender onde está o pedido, em que posição está a fila, quando haverá leito, quando o médico vai chamar?

No papel, são protocolos, laudos, decisões e prazos. Dentro de casa, é outra coisa: é a avó que sente falta de ar, a mãe que piora, a família que passa noites sem dormir e a pergunta que ninguém consegue responder com clareza: “quando vai ser atendida?”.

No caso desta idosa, a resposta veio depois que a família procurou o Ministério Público e a Justiça entrou no caminho.

Situação atual

Até a última manifestação juntada ao processo, em 18 de maio, a paciente já estava no HUOP desde o dia 14 de maio. O Ministério Público aguarda um relatório médico atualizado do hospital para saber qual é o estado de saúde dela e quais medidas serão adotadas.

O Estado do Paraná foi acionado na Justiça e o processo segue em tramitação na Vara da Fazenda Pública de Cascavel.

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