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Dólar sobe 3,55% na semana com exterior negativo e efeito ‘Flávio Day 2.0’

O aumento da aversão externa ao risco e o realinhamento dos juros globais se sobrepuseram ao eventual efeito positivo da alta do petróleo sobre a moeda...

Publicado em

Por Agência Estado

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O dólar disparou e fechou acima de R$ 5,05 nesta sexta-feira, 15, marcada por uma onda de valorização da moeda norte-americana no exterior. Temores de pressões inflacionárias com a escalada dos preços do petróleo, diante do prolongamento do conflito no Oriente Médio, impulsionaram as taxas dos Treasuries, castigando divisas emergentes.

O aumento da aversão externa ao risco e o realinhamento dos juros globais se sobrepuseram ao eventual efeito positivo da alta do petróleo sobre a moeda brasileira, via melhora dos termos de troca. O real sofre também com um movimento de realização de lucros associado à corrida presidencial, com o abalo da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal nome da oposição, na esteira revelação de relações de proximidade entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Com máxima de R$ 5,0818, no início da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão em alta de 1,63%, a R$ 5,0678 – maior valor de fechamento desde 8 de abril (R$ 5,1029). O real amargou um dos piores desempenhos entre emergentes, seguido de perto pelo peso chileno, o rand sul-africano e o florim húngaro.

A moeda norte-americana termina a semana com ganhos de 3,55% e avança 2,32% em maio, após desvalorização de 4,36% em abril. No ano, as perdas do dólar, que já foram superiores a 10%, agora são de 7,67%.

“Temos um cenário externo de aversão ao risco com o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. As taxas dos Treasuries estão subindo e a moeda americana se fortalecendo com a dificuldade de retomada do corte de juros nos EUA e a eventual possibilidade de alta”, afirma o sócio da Nexgen Capital, Felipe Izac, para quem parte do tropeço do real reflete a diminuição das apostas em mudança da política fiscal após a eleição presidencial, diante da perda de fôlego do nome de Flávio Bolsonaro.

Em entrevista no período da tarde à CNN Brasil, Flávio disse que suas conversas com Vorcaro, reveladas na última quarta-feira, 13, pelo site The Intercept Brasil, não vão abalar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. A publicação divulgou mensagens de texto e áudio em que Flávio pede recursos ao ex-banqueiro para bancar o filme “Dark Horse”, com a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de chamar Vorcaro de “irmão”, o senador negou proximidade com o dono do Master, argumentando que o tratamento é comum no Rio de Janeiro e entre evangélicos.

“Naturalmente, o otimismo com o real diminuiu com o ‘Flávio 2’, e agora precisamos entender se o mercado vai continuar desmanchando posições otimistas com relação às eleições”, afirma, em relatório, o sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, acrescentando que, caso o mercado comece a trabalhar com chance de elevação dos juros pelo Federal Reserve, pode haver “alteração no fluxo e alta do dólar”.

O contrato do Brent para julho subiu 3,35%, para US$ 109,26 o barril, acumulando valorização de 7,87% na semana. Trump declarou nesta sexta que “não será muito mais tolerante” com Teerã. Em oposição à fala do republicano de que o presidente chinês, Xi Jinping, apoia “fortemente” restrições nucleares ao Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz, Pequim informou que Xi afirmou apenas que “a força não resolve problemas”.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY ultrapassou a marca dos 99,000 pontos e acumulou alta de mais de 1,40% na semana. As taxas dos Treasuries de 10 anos avançaram de 2%, para 4,59%. Além da permanência do petróleo em níveis elevados, a safra mais recente de indicadores mostrou atividade forte e inflação em alta. Ferramenta de monitoramento do CME Group passou a apontar quase 60% de chances de que o Federal Reserve eleve a taxa básica de juros em janeiro de 2027.

“Hoje, os mercados reagem à forte alta dos juros nos EUA, o que se reflete no ganho do dólar contra moedas emergentes. O real sempre tem um comportamento mais elástico, dado o tamanho do mercado local de câmbio”, afirma o economista-chefe da Garantia Capital, André Perfeito. “Mantenho a perspectiva de que o real tende a se apreciar, dado o resultado das contas externas brasileiras, mas a volatilidade ainda será sentida até Trump decidir o que fazer com o conflito no Oriente Médio.”

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