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Mulher afirma ter sido estuprada por Epstein durante 3 anos

Uma mulher afirmou ter sido abusada sexualmente pelo financista Jeffrey Epstein enquanto ele cumpria prisão domiciliar após ter sido condenado por crimes sexuais....

Publicado em

Por Agência Estado

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Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência infantil, violência sexual e estupro de vulnerável. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 100 ou 190, e denuncie.

Uma mulher afirmou ter sido abusada sexualmente pelo financista Jeffrey Epstein enquanto ele cumpria prisão domiciliar após ter sido condenado por crimes sexuais.

A declaração foi feita na terça-feira, 12, durante uma audiência em West Palm Beach, na Flórida, organizada por democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. A sessão não tem efeito legal e foi organizada para manter o caso Epstein em evidência.

Segundo a emissora BBC, a mulher, identificada apenas como Roza, disse que conheceu o francês Jean-Luc Brunel aos 18 anos, quando ainda morava no Uzbequistão, em 2008. Brunel foi agente de modelos e fundador da agência MC2, que tinha sede em Miami e contava com apoio financeiro de Epstein.

“Me prometeram uma carreira de modelo além dos meus sonhos”, afirmou Roza. “Por vir de uma situação financeira instável, eu era um alvo perfeito para a coerção”, acrescentou.

Em maio de 2009, ela chegou a Nova York com um visto de talento, destinado a pessoas com habilidades extraordinárias nas ciências, artes, educação, negócios ou esportes. “Eu não tinha a documentação necessária para obter esse visto, tenho 100% de certeza disso”, disse a mulher em um trecho do depoimento divulgado pelo jornal The Times.

Dois meses depois, ela conheceu Epstein na casa dele, em West Palm Beach. Na época, o financista já cumpria prisão domiciliar após ter se declarado culpado por solicitação de prostituição de menor e por ter sido incluído no registro de agressores sexuais. Pelo acordo, ele podia sair de casa por até 16 horas por dia, seis dias por semana, para trabalhar na Fundação de Ciência da Flórida.

Roza afirmou que Epstein lhe ofereceu um emprego na fundação para ajudá-la com “dificuldades financeiras”. “Um dia, a massagista dele me chamou para o quarto, onde Jeffrey me molestou pela primeira vez”, disse. “Nos três anos seguintes, fui vítima de estupros contínuos.”

Para a mulher, os abusos cometidos por Epstein durante o cumprimento da pena “faziam a Justiça parecer impossível”. “Jeffrey estava em prisão domiciliar por abusar de meninas menores exatamente na mesma época em que abusava de mim”, afirmou. Ela acrescentou que “acabou encontrando coragem para pedir ajuda”.

Roza disse também que reviveu o trauma nos últimos meses após seu nome ter sido divulgado por engano nos arquivos do caso Epstein publicados pelo Departamento de Justiça (DoJ), “enquanto os ricos e poderosos permaneceram protegidos por tarjas”.

“Agora, repórteres do mundo inteiro entram em contato comigo. Não consigo viver sem olhar por cima do ombro. Só consigo imaginar o impacto de longo prazo que esse erro terá na minha vida”, disse.

O DoJ afirmou, na época da divulgação dos documentos, que “leva a proteção das vítimas muito a sério” e que retirou alguns arquivos do site após vítimas relatarem que suas identidades haviam sido expostas por falhas nas tarjas aplicadas ao material. A pasta informou que os erros ocorreram por “falha técnica ou humana”.

O congressista democrata Robert Garcia divulgou um relatório, incluindo documentos e registros bancários, que apontou que o acordo firmado por Epstein – negociado pelo então procurador dos EUA para o distrito sul da Flórida, Alexander Costa – em 2008 o ajudou a “enriquecer e expandir a rede de abuso sexual”.

“O acordo de não persecução penal negociado por Alex Acosta, com sua confissão de culpa restrita e sentença branda, permitiu que Epstein continuasse suas atividades de abuso e tráfico por quase mais uma década, mudando seu foco para mulheres europeias e da Ásia Central”, diz um trecho do relatório divulgado pelo The Times.

Epstein foi preso em julho de 2019, em Nova York, sob novas acusações de tráfico sexual de menores. No mês seguinte, o financista foi encontrado morto em sua cela, e os investigadores concluíram que ele tirou a própria vida.

Outras vítimas do financista e familiares também foram ouvidos na audiência de terça-feira. Entre eles, estava a irmã de Virginia Giuffre, Sky Roberts, segundo o jornal The Guardian.

Virginia foi uma das primeiras mulheres a denunciar Epstein. Ela afirmava ter sido recrutada aos 16 anos pela então namorada do financista, Ghislaine Maxwell, em 2000, quando trabalhava no clube Mar-a-Lago, que pertence ao presidente americano, Donald Trump. Ghislaine foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores e cumpre pena em uma prisão federal no Texas.

“Antes de morrer, Virginia prestou depoimento sob juramento expondo isso pelo que realmente era: uma operação global de tráfico sexual, facilitada, protegida e financiada por pessoas poderosas”, afirmou Sky. Virginia morreu em abril do ano passado, em um caso que foi classificado como suicídio.

“Nenhuma sobrevivente deveria ter que arriscar a própria segurança apenas para ser acreditada. Mas Virginia fez isso mesmo assim. Ela se levantou quando outros estavam com medo, disse a verdade sob juramento e enfrentou pessoas que ela sabia serem poderosas”, acrescentou Sky.

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