Greve na USP: manifestantes decidem manter ocupação do prédio da reitoria
A Polícia Militar continua no local. Segundo a Secretaria de Segurança de São Paulo, não há registro de incidentes. Estudantes que estão na ocupação afirmam que...
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Por Agência Estado
Os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) decidiram manter a greve e seguem ocupando o prédio da reitoria da Cidade Universitária, no Butantã, na tarde deste sábado, 9. A decisão foi tomada após uma assembleia realizada na noite de sexta-feira, 8, pelos próprios manifestantes que participam da ocupação. De acordo com a liderança do movimento, alunos de 130 cursos aderiram à greve.
A Polícia Militar continua no local. Segundo a Secretaria de Segurança de São Paulo, não há registro de incidentes. Estudantes que estão na ocupação afirmam que o contingente de policiais foi reduzido em relação aos primeiros momentos da manifestação.
A ocupação teve início na tarde de quinta-feira, 7, após os manifestantes terem derrubado um portão de metal e duas portas de vidro da reitoria e invadiram o edifício. O movimento é organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre) da USP. Neste momento, os alunos elaboram a pauta de ação para o dia de hoje.
A liderança do DCE afirma que só deixará o local após a retomada das negociações com a reitoria. Uma das principais pautas de reivindicação é o reajuste Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que beneficia os universitários no valor entre R$ 330 (para os que têm moradia) e R$ 885 para auxílio integral.
A USP propôs um aumento que chegaria a R$ 27. A medida vem sendo criticada pelos alunos, que reivindicam um aumento para R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista.
“A universidade afirma que não tem orçamento, mas nós temos uma opinião mais profunda sobre isso”, diz Danielly Oliveira, diretora do DCE. “Mas a universidade mudou uma cláusula de sustentabilidade para poder injetar dinheiro e pagar bonificação para os professores”.
Os alunos também pedem melhoria nos bandejões da universidade, tanto de qualidade de trabalho quanto da alimentação fornecida. “Queremos debater sobre a contratação de mais funcionários e que seja garantia a qualidade dos alimentos, que passa também pela melhoria das condições de trabalho”, diz Danielly.
Segundo ela, um dos problemas mais críticos é o do bandejão do Instituto de Química. “Em dias mais quentes, a cozinha fica com um calor insuportável. E é até natural que comida estrague, porque não tem refrigeração na cozinha”, acrescenta Danielly.
Outra reivindicação se refere aos hospitais universitários. O movimento afirma haver um desmonte das unidades, com poucos funcionários e excesso de trabalho para quem trabalha nos locais, incluindo estagiários de medicina.
Em entrevista ao Jornal da USP, divulgada na noite de sexta-feira, o reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado, dise que, desde o dia 14 de abril, foram mantidas mais de 20 horas de negociações com os estudantes. “Foram várias horas debatendo todas as suas demandas”, disse o reitor.
O reitor afirmou que demandas referentes às “questões estudantis” foram encaminhadas e “passíveis de serem enfrentadas rapidamente”. Outras dependem de avaliações orçamentárias e estão em análise por grupos de trabalho.
Já a reivindicação de reajuste do programa de permanência estudantil ao valor de um salário mínimo paulista, o reitor disse ser inviável. Segundo ele, os valores dos auxílios financeiros vêm sendo reajustados anualmente desde a criação do programa, em 2022.
Segurado disse ainda que, após os alunos apresentarem um estudo dizendo que o valor para este ano, de R$ 885, não corresponderia à variação inflacionária, a reitoria propôs o aumento para R$ 912 na modalidade integral.
“Atendemos, portanto, à reivindicação apresentada inicialmente pelos estudantes. Mas, imediatamente, eles passaram a reivindicar que o auxílio fosse elevado ao valor de um salário mínimo paulista, o que implicaria praticamente dobrar o valor atualmente ofertado, o que é absolutamente incompatível com o orçamento da universidade”, disse o reitor.
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