O medo não pode virar rotina em Cascavel
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Por Redação CGN
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Cascavel volta a conviver com um problema que há tempos assombra comerciantes, trabalhadores e famílias que circulam pelo centro da cidade: a presença constante de pessoas em situação de rua, usuários de drogas e desocupados ocupando calçadas, praças, bancos, muros e pontos movimentados, especialmente na Avenida Brasil.
É impossível caminhar pelo centro sem notar a cena. Pessoas encostadas em fachadas comerciais, abordagens insistentes, intimidação velada, relatos de furtos, ameaças e insegurança. Para muitos lojistas, que já enfrentam uma economia difícil, queda no consumo, altos impostos e custos crescentes, a situação se tornou mais um peso diário. Além de vender, pagar funcionários e manter as portas abertas, agora precisam lidar também com o medo.
E não se trata de preconceito contra pessoas vulneráveis. Quem precisa de assistência deve receber assistência. Quem enfrenta dependência química deve ter acesso a tratamento. Mas a compaixão não pode servir de desculpa para abandonar o centro da cidade à própria sorte. Muito menos para permitir que trabalhadores, consumidores e famílias sejam constrangidos, ameaçados ou afastados dos espaços públicos.
Cascavel já viu tragédias e episódios graves envolvendo violência nas ruas. Quando a população percebe o risco, quando comerciantes relatam assaltos, quando cidadãos evitam circular por determinadas regiões, o poder público não pode fingir surpresa. A pergunta é inevitável: a segurança pública não está vendo o que todo mundo vê?
A cidade precisa de ação coordenada. Guarda Municipal, Polícia Militar, assistência social, saúde pública e fiscalização precisam atuar em conjunto. Não basta apenas “retirar” pessoas de um ponto para que reapareçam em outro. É preciso abordar, identificar, encaminhar para tratamento quando necessário, oferecer assistência real a quem aceita ajuda e aplicar a lei contra quem comete crime, ameaça ou perturba a ordem.
O direito de ir e vir pertence a todos — inclusive ao trabalhador que sai cedo, ao comerciante que abre sua loja, à mãe que caminha com o filho, ao idoso que atravessa a praça e ao consumidor que movimenta a economia local. Espaço público não pode ser território de medo.
O centro de Cascavel é vitrine da cidade. Quando ele se torna sinônimo de insegurança, toda a população perde. O comércio perde. A convivência urbana perde. A confiança nas autoridades perde.
O poder público precisa agir antes que mais uma tragédia aconteça. Porque depois da vítima caída, depois do comerciante ferido, depois da família destruída, não adianta nota oficial, promessa de reunião ou discurso de solidariedade.
Segurança pública se faz com presença, prevenção e coragem para enfrentar problemas reais.
Cascavel não pode aceitar que o medo vire paisagem.