
Roubo de carga: Além de PM, sequestro relâmpago em Cascavel envolveu advogado e empresário
A vítima do sequestro estaria sendo cobrada sobre o roubo de uma carga no valor de até R$ 800 mil ...
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Por Fábio Wronski

A CGN obteve acesso a documentos que retratam toda a movimentação do sequestro relâmpago ocorrido no Bairro Cataratas, em Cascavel, há aproximadamente 10 dias. A ação policial foi registrada com exclusividade pela reportagem da CGN no dia 18 deste mês, na Rua Mato Grosso, no Bairro São Cristóvão.
No local da abordagem, a Polícia Militar não repassou detalhes do procedimento, que ainda estava em curso. In loco, a equipe de jornalismo acompanhou a prisão em flagrante de três homens, bem como a apreensão de um veículo Honda Civic branco, que ostentava um adesivo da OAB.
Um dia após a prisão em flagrante dos três homens, a Polícia Militar encaminhou nota à imprensa relatando que o caso se tratava de um sequestro-relâmpago e que um policial militar estava entre os detidos. No relatório da PM, não foram repassadas informações sobre qual seria o objetivo dos três homens que abordaram a vítima e a mantiveram em cárcere.
Hoje, terça-feira (28), a CGN teve acesso a documentos que detalham toda a movimentação, a qual, além do policial militar, contou com a participação de um advogado e de um empresário cascavelense.
Segundo informações do boletim de ocorrência, tudo começou no Bairro Cataratas, quando a vítima foi abordada por três indivíduos que estariam em um Civic e, sob ameaça inicial com arma de fogo, foi levada para outro automóvel.
Um popular teria visualizado a movimentação estranha e acionado a Polícia Militar pelo 190, repassando informações sobre o carro e a placa do veículo. Imediatamente, diversas equipes foram mobilizadas para a ocorrência e, em solo e com apoio de um helicóptero, o carro e os suspeitos foram encontrados na Rua Mato Grosso, no Bairro São Cristóvão.
Em depoimento, a vítima relatou que, durante cerca de uma a duas horas, foi questionada sobre o paradeiro de uma carga de mercadorias supostamente desaparecida, avaliada entre R$ 400 mil e R$ 800 mil.
Há cerca de três semanas, o homem contou que foi procurado por um indivíduo que solicitou o empréstimo de um caminhão para o transporte de mercadorias, oferecendo o pagamento de R$ 3 mil, valor que não foi quitado. Segundo o depoimento, o veículo foi entregue a um terceiro em Marechal Cândido Rondon e devolvido cerca de uma hora depois.
Na sequência, ele foi orientado a seguir até Cascavel, onde, no bairro Periolo, pessoas descarregaram aproximadamente dez caixas do caminhão, cujo conteúdo ele afirma desconhecer. Posteriormente, passou a ser contatado por um homem que se identificou como advogado, o qual o questionava sobre uma suposta carga roubada.
Sequestro
O sequestro teria sido realizado pelos três envolvidos, identificados pelas iniciais J.A.S. (policial militar), L.L. (empresário) e M.R.G. (advogado), os quais foram localizados após diligências policiais e encaminhados à delegacia.
Na delegacia, durante depoimento, os investigados negaram a prática de extorsão e sequestro. O policial militar afirmou que havia sido avisado sobre a questão da carga roubada e se deslocou junto ao advogado e ao empresário para prestar segurança, pois os dois não sabiam se o abordado poderia estar armado.
O servidor público relatou, em depoimento, que não utilizou arma de fog e que a abordagem teria ocorrido de forma voluntária. Já o advogado declarou que atuava na tentativa de recuperar mercadorias para um grupo de interessados, enquanto o empresário optou por permanecer em silêncio.
Prisão em Flagrante
Na homologação da prisão, a Justiça considerou que o flagrante foi realizado dentro da legalidade, mas entendeu não haver elementos suficientes para converter a detenção em prisão preventiva. Assim, foi concedida liberdade provisória aos três, mediante pagamento de fiança — R$ 3 mil para J.A.S. e L.L., e R$ 2 mil para M.R.G. —, além da imposição de medidas cautelares, como comparecimento obrigatório aos atos processuais e restrição de deslocamento.
A decisão também determinou a comunicação do caso à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em relação ao advogado envolvido, e à Corregedoria da Polícia Militar do Paraná, no caso do policial, para apuração administrativa dos fatos.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil para que o inquérito seja concluído. Não se descarta a participação de mais envolvidos, assim como averiguações quanto ao transporte de mercadorias ilícitas.
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