
Trabalho escravo doméstico é tema do Caminhos da Reportagem de hoje
O Brasil foi também o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888. Assim mesmo, por meio de um processo incompleto.......
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Por CGN

O dia 25 de março de 2026 entrou para a história como a data em que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu que a escravização de africanos foi o crime mais grave contra a humanidade.
O Brasil foi também o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888. Assim mesmo, por meio de um processo incompleto.
“A primeira pergunta é: para onde eu vou?”, explica a ministra Liana Chaib, do Tribunal Superior do Trabalho.
“Eu não tinha casa, família nem ninguém para me abraçar”, desabafa Suzana Salomono. Ela passou anos trabalhando em casa de família sem receber salário.
As equipes de reportagem em Brasília, São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte ouviram empregadas domésticas escravizadas no Brasil.
Roberta dos Santos, de 46 anos, recebia alimentação como pagamento.
“Só que a patroa dizia que eu só tinha direito a um prato de comida no almoço. No jantar não tinha. Nem eu, nem meu menino”. O filho de Roberta é autista.
Araci do Amaral, de 73 anos, apanhou da ex-patroa e foi vítima do racismo do ex-patrão. “Ele chegava xingando, falando ‘nega, não sei o quê’. E me agrediu umas duas ou três vezes”, conta.
Maria Santiago, de 78 anos, passou décadas como doméstica escravizada. Não recebia salário nem o BPC (Benefício de Prestação Continuada) feito em seu nome. “Eu não sabia a senha, nem conhecia o cartão”, diz ela.
Maria Raimunda, de 63 anos, denuncia o sequestro do filho enquanto foi escravizada. “Ela (ex-patroa) chegou e falou assim quando eu voltei do hospital: ‘Deixa eu pegar ele no colo, Maria’. Aí me deu vontade de ir no banheiro, muita vontade. Quando eu saí, ela disse assim: ‘Maria, o neném já lá vai…’”. Maria Raimunda nunca mais viu o filho.
Suzana, Roberta, Araci, Maria Santiago e Maria Raimunda foram resgatadas. Elas e centenas de outras trabalhadoras salvas formam um grupo com perfil definido. “Mais da metade dessas mulheres têm no máximo a 5ª série de escolaridade, 24% são analfabetas e 72% são negras”, afirma a coordenadora-geral de Fiscalização do Trabalho Análogo à Escravidão do Ministério do Trabalho e Emprego, Shakti Borela.
Como denunciar?
Qualquer pessoa pode denunciar situações de trabalho escravo. A ligação é gratuita, o sigilo é garantido e o serviço funciona 24h por dia. Basta discar o número 100. Além disso, a denúncia pode ser feita pelo Whatsapp (61 99611-0100) e pelo Telegram (digite “Direitoshumanosbrasil” na busca do aplicativo).
Fonte: Agência Brasil
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