
Operação Rastreio expõe esquema ousado de tráfico e revela bastidores inéditos em Cascavel
A ação desta tarde, que resultou na apreensão de 295 kg de maconha e cerca de 95 kg de haxixe, é desdobramento direto da Operação Rastreio...
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Por Luiz Haab
Uma apreensão de quase 400 quilos de drogas, na tarde desta sexta-feira (17), em Cascavel, ganhou novos contornos após entrevistas com os delegados Julio e Eduardo, da Polícia Civil. O caso escancara a sofisticação e a audácia de uma organização criminosa que operava em vários estados do país.
A ação desta tarde, que resultou na apreensão de 295 kg de maconha e cerca de 95 kg de haxixe, é desdobramento direto da Operação Rastreio — uma ofensiva estratégica contra o tráfico interestadual. Segundo os delegados, o trabalho é fruto de uma investigação minuciosa iniciada há cerca de três meses, após apreensões iniciais feitas pela Polícia Rodoviária Federal e pela Receita Federal.
“O nome ‘Rastreio’ não é por acaso”, explicou um dos delegados. “Nós começamos a ligar os pontos a partir de cargas suspeitas apreendidas no início do ano. Esse padrão revelou um esquema estruturado, que usava documentação falsa para esconder drogas em meio a mercadorias aparentemente legais.”
A operação já resultou na prisão e três pessoas, todas em Cascavel.
Esconderijo improvável e estratégia sofisticada
O que mais chama atenção é o nível de criatividade do grupo criminoso. Desta vez, os entorpecentes estavam escondidos dentro de fornos industriais e equipamentos agrícolas, compartimentos adaptados e soldados para despistar fiscalizações.
“Eles declaravam produtos que não condiziam com o conteúdo real. Hoje encontramos drogas dentro de um forno e máquinas agrícolas. Em outras situações, já identificamos até galões de cloro sendo usados para mascarar o cheiro”, detalhou a autoridade policial.
Rede interestadual e logística camuflada
As investigações apontam que a droga não ficava apenas em Cascavel. O município funcionava como um ponto estratégico de distribuição para estados como São Paulo e Rio de Janeiro.
Outro ponto revelado nas entrevistas é que os criminosos evitavam criar vínculos fixos. “Eles mudavam constantemente de endereço e utilizavam diferentes transportadoras para dificultar o rastreamento”, explicaram.
Apesar disso, há um indicativo importante: as transportadoras, em princípio, não tinham envolvimento direto com o crime. Em um dos casos que deu origem à investigação, foi justamente a desconfiança de uma transportadora que levou à descoberta da droga pela PRF.
Prejuízo milionário ao tráfico
Somando as apreensões feitas desde janeiro — incluindo as fases iniciais da investigação e a operação atual — o prejuízo ao crime organizado pode chegar a R$ 3 milhões.
Além das drogas, a operação já cumpriu seis mandados de busca (inclusive em Santa Catarina) e três mandados de prisão, todos em Cascavel.
Investigação continua
Novos envolvidos podem surgir a partir dos desdobramentos. Enquanto isso, a população pode colaborar de forma anônima pelos telefones 153 (Guarda Municipal), 197 (Polícia Civil) e 190 (Polícia Militar).
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