"Eu queria matar": padrasto ataca enteado com faca e confessa à delegada
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Por Redação CGN
Atualizado em: 17/04/2026 às 10:52
Na noite de terça-feira, dia 14 de abril, uma cena de violência doméstica se desdobrou em três atos distintos: um homem em estado de embriaguez que entrou em casa com uma faca na mão e golpeou o próprio enteado na coxa, uma fuga pelo bairro, e uma prisão em flagrante executada pela equipe de choque da Polícia Militar. O que não foi noticiado à época – e que agora chama a atenção – é o que aconteceu depois: diante da delegada plantonista, já algemado, o acusado dispensou qualquer negativa. Com poucas palavras, resumiu o que havia acontecido.
“Eu queria matar o meu enteado.”
Acusado, em depoimento à delegada plantonista · 14/04/2026
A frase, dita sem hesitação na 10ª Central Regional de Flagrantes de Cascavel, encapsulou a gravidade de uma ocorrência que, pelos números frios do boletim, poderia parecer mais uma estatística de violência doméstica. A vítima sofreu apenas escoriação na coxa esquerda. O ferimento foi classificado como sem gravidade. Mas as palavras do agressor revelam uma intenção que vai muito além do que a lesão registrada poderia sugerir.
Como tudo aconteceu
Da sala de casa à praça do bairro: a cronologia do flagrante
Às 19h30 da última terça-feira, o suspeito chegou à residência localizada no bairro Cancelli, em estado de embriaguez, portando uma faca. Dentro de casa, passou a proferir ameaças contra o enteado. Em dado momento, desferiu um golpe que atingiu a coxa esquerda do rapaz – uma escoriação que, segundo o boletim, não apresentou gravidade. Em seguida, saiu do imóvel sem camisa, vestindo apenas calça, com a arma ainda na mão.
A equipe de choque foi acionada via COPOM. O patrulhamento pelo bairro durou pouco: o suspeito foi localizado sentado em um banco na praça em frente ao salão comunitário do Cancelli. Quando a equipe se aproximou, a faca estava visível em sua cinta. Diante da voz de abordagem, ele a jogou no chão imediatamente. Após busca pessoal – que não encontrou outros ilícitos –, recebeu voz de prisão, leitura dos direitos constitucionais e foi conduzido ao comburo da viatura. Todo o ciclo, da acionamento à chegada à delegacia, durou menos de uma hora.
O depoimento
Quando o silêncio não foi a opção escolhida
Na delegacia, a delegada plantonista conduziu o depoimento de forma direta. Informou ao suspeito que ele estava sendo mantido algemado por questão de segurança, que havia sido preso por agredir e ameaçar o enteado, e que a fiança era de R$ 1.500,00. Ofereceu-lhe o direito de avisar alguém sobre sua prisão – ao que ele respondeu não ter celular, pois havia perdido o aparelho. Em seguida, veio a pergunta decisiva.
A contradição é imediata: em uma única fala, o suspeito afirma ter querido matar o enteado e, na sequência, alega que era ele quem estava sendo ameaçado de morte. Esse tipo de contradição é comum em casos de violência doméstica com o agressor sob efeito de álcool – um estado que, conforme registrado no boletim, era evidente: forte odor etílico, dificuldade de equilíbrio e fala comprometida.
Álcool, faca e violência doméstica: um padrão que se repete
O perfil desta ocorrência – padrasto embriagado, arma branca, vítima dentro de casa, fuga e captura nas imediações – é tragicamente familiar para quem acompanha dados de segurança pública no interior do Paraná. A vítima, um jovem de 28 anos, manifestou expressamente o interesse em que fossem adotados os procedimentos de polícia judiciária, garantindo que o caso seguisse para apuração formal.
O acusado, um carpinteiro de 41 anos que declarou ganhar R$ 200 por dia, mora no mesmo endereço que a vítima.
“Porque ele ameaçou.”
A resposta do suspeito ao ser perguntado por que queria matar o enteado.
A vítima sobreviveu. Agora, cabe ao sistema garantir que a frase dita naquela sala não tenha o peso que ela carrega.