CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Promotores avaliam que fechar delação com ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ é ‘incentivo ao crime’

Ambos se dizem empresários e estão foragidos desde o ano passado. Alegam, por meio de aliados, que têm “nitroglicerina pura” contra políticos, agentes públicos e juízes...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

Promotores do Ministério Público de São Paulo que integram as três frentes da Operação Carbono Oculto – baseadas em Piracicaba, São José do Rio Preto e Guarulhos – são decididamente contrários ao fechamento de um acordo de delação premiada com Mohamad Hussein Moraes, o “Primo”, e com Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.

Ambos se dizem empresários e estão foragidos desde o ano passado. Alegam, por meio de aliados, que têm “nitroglicerina pura” contra políticos, agentes públicos e juízes e, ainda, detalhes de um longevo esquema de corrupção que, há pelo menos quarenta anos, segundo dizem, perdura em setores da Secretaria de Estado e da Fazenda de Planejamento de São Paulo. Na avaliação dos promotores, no entanto, aceitar os termos oferecidos pela defesa seria um “incentivo ao crime”.

A oferta de delação de “Beto Louco” e “Primo” está na mesa do procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, reconduzido ao cargo pelo governador Tarcísio de Freitas nesta terça, 14, para um novo mandato de dois anos.

Como as revelações dos foragidos podem alcançar nomes com foro privilegiado, caberá a Paulo Sérgio acolher ou não a proposta de delação pela via da competência originária. Ele confia plenamente nos promotores e com eles se reunirá antes de tomar uma decisão. Um dos promotores da força-tarefa redigiu uma nota técnica orientando que o acordo não seja fechado.

Os promotores da Carbono Oculto que conduzem as negociações com “Beto Louco” e “Primo” fazem parte do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público Estadual. Eles detém larga experiência no enfrentamento ao PCC e a outras organizações envolvidas em tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro.

Preliminarmente, submeteram “Beto Loco” e “Primo” a amplo questionário por escrito. Em troca da colaboração, os alvos da Operação Carbono Oculto querem a suspensão do decreto de prisão que pesa sobre eles.

O ceticismo dos promotores em relação ao relato dos foragidos ganhou força quando eles ofereceram devolver R$ 1 bilhão ao Estado, mas afirmaram que todo o patrimônio constituído por eles antes de 2020 foi obtido de forma “lícita”.

A Carbono Oculto, deflagrada ano passado, atingiu o “andar de cima” do PCC e seus tentáculos na Faria Lima. Eles se recusam a admitir ligação com a facção. Afirmam que compraram postos de gasolina falidos e os recuperaram para revenda. Admitem apenas sonegação fiscal cometida pelas empresas Aster e Copape.

Para os promotores, a proposta é apenas uma tentativa de blindar o patrimônio que ambos construíram com práticas criminosas. Eles consideram que um acordo dessa natureza iria “desmoralizar” o Ministério Público. O Estadão constatou que os promotores detêm provas suficientes do envolvimento dos dois com a facção criminosa. Entre os promotores, a proposta dos dois foragidos foi comparada à que o empresário Joesley Batista fechou com o Ministério Público Federal, à época sob condução do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Os promotores criticam o valor de R$ 1 bilhão proposto, pois afirmam que o esquema criminoso sonegou R$ 4 bilhões. Ou seja, para eles, o acordo iria legitimar uma fortuna constituída com o crime. E mesmo a multa de R$ 1 bilhão poderia ser questionada no futuro, a exemplo do que aconteceu com as delações que marcaram a extinta Operação Lava Jato.

Sobre a munição que “Beto Louco” e “Primo” dizem ter contra áreas sensíveis da Receita estadual, os promotores consideram que não se faz necessária uma delação.

Em agosto do ano passado e março último, os promotores deflagraram as Operações Ícaro e Fisco Paralelo, investigação que desmontou esquema de propinas bilionárias repassadas a auditores por gigantes do varejo e do atacado em troca de antecipação de créditos tributários. Quarenta fiscais já estão sob investigação da Promotoria e da Corregedoria da Fazenda.

Veja Mais

Whatsapp CGN 3015-0366 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN