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‘Meti rizz, ficou cringe, acharam sus e foi L’: você entende o que os jovens dizem?

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“Mano, simplesmente DO NADA deu muito L: o cara tentou meter um rizz estranho, ficou cringe, geral achou sus e ele foi totalmente cancelado — zero...
‘Meti rizz, ficou cringe, acharam sus e foi L’: você entende o que os jovens dizem?

Por Luiz Haab

Atualizado em: 14/04/2026 às 19:38

A notícia a seguir é fictícia e foi escrita para, quem sabe, os seus filhos entenderem:

“Mano, simplesmente DO NADA deu muito L: o cara tentou meter um rizz estranho, ficou cringe, geral achou sus e ele foi totalmente cancelado — zero condições, a cena foi muito mid, mas ao mesmo tempo caótica nível skibidi. Testemunhas disseram ‘F’ sem nem pensar, porque foi vergonha alheia máxima. É sobre isso.”

Paras as gerações Z (pessoas nascidas entre 1997 e 2009) e Alpha (entre 2010 e 2025), essa redação esquisita pode fazer todo o sentido. Para mim, do alto dos meus 43 anos, a mesma “notícia” seria assim descrita:  

“Um homem protagonizou uma situação inusitada e constrangedora na tarde de ontem, após tentar abordar pessoas de maneira inadequada em via pública. O comportamento foi considerado suspeito por testemunhas, que relataram forte sensação de desconforto. O episódio rapidamente gerou críticas e repercussão negativa entre os presentes.

Não sou só eu

Se alguém acima dos 30 anos ouvir uma conversa entre os adolescentes de hoje, pode ter a sensação de estar diante de outro idioma. E, de certa forma, está mesmo.

As gerações Z e Alpha criaram um vocabulário próprio — uma mistura veloz de memes, inglês (ainda que não saibam o idioma), cultura pop e referências digitais — que transforma situações comuns em narrativas quase performáticas.

Mas por trás do aparente caos linguístico (“skibidi”, alguém?), existe lógica, contexto e até sofisticação.

Quando tudo vira “cringe” (ou “slay”)

Uma das marcas da geração Z é o julgamento rápido — e criativo — das situações.

Se algo causa vergonha alheia, é simples:

“Nossa, isso foi muito cringe.”

Por exemplo, um adulto tentando dançar uma trend antiga pode facilmente ouvir isso.

Por outro lado, quando alguém manda bem:

“Ela simplesmente slayou.”

Aqui, “slay” não é só elogio — é quase uma coroação social. A pessoa não foi apenas bem, ela dominou a situação.

Agora, quando você agir de forma “diferentona” ou fora do padrão, vai estar “metendo um 67” (aliás, digite 67 na barra de endereço do Google e veja que até ele está metendo um balanço aleatório na tela).

“Delulu”, “based” e o drama cotidiano

A linguagem também serve para rotular comportamentos:

• Alguém muito iludido? “Ele tá muito delulu achando que isso vai dar certo.”

• Já alguém autêntico, que fala sem filtro: “Ela é muito based.”

Esses termos mostram como a comunicação dessas gerações é menos descritiva e mais interpretativa — cada palavra já carrega uma opinião embutida.

A geração Alpha e o humor do absurdo

Se a geração Z já parece caótica, a Alpha eleva isso ao máximo.

Aqui, o humor muitas vezes não precisa fazer sentido.

• “Skibidi” pode significar tudo… ou nada.
• “Gyatt” é uma reação exagerada, quase teatral.
• “Fanum tax” virou brincadeira para justificar “roubar” comida de amigos.

Exemplo realista:

“Ele pegou meu lanche, meteu um ‘fanum tax’ e saiu como se fosse W.”

Tradução: ele roubou o lanche e ainda achou que saiu ganhando.

Vitória, derrota e a vida como um jogo

A influência dos games é fortíssima.

Tudo pode ser reduzido a:

• W (win/vitória)
L (loss/derrota)

Uma entrevista de emprego ruim?

“Nossa, que L.”

Uma apresentação que deu certo?

“Foi muito W.”

A vida vira uma espécie de placar contínuo.

“NPC”, “sus” e a leitura social instantânea

Outro traço marcante é a rapidez em classificar pessoas.

• Alguém sem personalidade? “Ele é meio NPC.”
• Comportamento estranho? “Tá meio sus isso aí.”

Essas expressões vêm de jogos e viralizaram porque simplificam análises sociais complexas em segundos.

O palco: internet, memes e velocidade

Essas gírias não surgem por acaso. Elas nascem e se espalham em ambientes digitais, onde tudo precisa ser rápido, engraçado e compartilhável.

Uma expressão pode surgir em um vídeo hoje, viralizar amanhã e morrer em poucas semanas. Por isso, dominar esse vocabulário não é só saber palavras — é acompanhar o ritmo cultural.

Traduzindo gerações

Para quem é de fora, pode parecer exagero. Mas essas gírias cumprem um papel importante: identidade. Elas mostram pertencimento, humor e visão de mundo. E, no fundo, não é tão diferente de outras épocas.

Antes: “legal”, “bacana”, “massa”.

Agora: “W”, “slay”, “based”.

A diferença? A velocidade e a criatividade.

Conclusão: linguagem como espelho do tempo

Se uma cena hoje é descrita como “cringe, sus e muito L”, isso não é empobrecimento da língua — é transformação.

As gerações Z e Alpha não estão apenas criando gírias. Estão reinventando a forma de contar histórias — mais rápidas, mais visuais, mais carregadas de emoção. E entender isso não é só uma questão de linguagem. É uma forma de entender o presente.

Porque, goste ou não… é sobre isso!

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