Bienal de Arquitetura Brasileira, no Ibirapuera, é passeio por ambientes inspirados em biomas

Aberta na última semana, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a edição inaugural da mostra promete oferecer um olhar diferente sobre o morar no Brasil,...

Publicado em

Por Agência Estado

O nome Bienal de Arquitetura Brasileira carrega um peso histórico e simbólico difícil de ignorar. Ele remete de imediato às grandes bienais que discutem urbanismo, projeto e teoria arquitetônica.

Aberta na última semana, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a edição inaugural da mostra promete oferecer um olhar diferente sobre o morar no Brasil, inspirado nos biomas que moldam nosso território.

Mas é bom esclarecer: não se trata de uma mostra de arquitetura nos moldes tradicionais. O que o visitante vai encontrar são interiores e espaços expositivos. O contraste, talvez, fique evidente porque o maior ícone arquitetônico presente é justamente o prédio que abriga a mostra, projetado por Oscar Niemeyer. A arquitetura está ali, firme e forte, mas como cenário, não como objeto de discussão.

A distinção é necessária. Apesar de evocar o nome da disciplina, o que se vê na Bienal são ambientes criados para representar modos de vida, com a saudável intenção de aproximar o público da arquitetura. O resultado, porém, é outro: não se trata de debater questões arquitetônicas, mas de oferecer espaços pensados para encantar e comunicar.

Inspiração em biomas brasileiros

E, nesse sentido, a iniciativa, por certo, tem seus méritos. São 28 pavilhões organizados a partir dos biomas brasileiros, que cumprem bem o papel de mostrar como a arquitetura de interiores é praticada hoje no país. De quebra, a mostra revela novos profissionais de diferentes regiões e apresenta uma variedade de técnicas construtivas e acabamentos aplicados de forma criativa em todo o território nacional.

“Apostamos em um discurso acessível, que tenta mostrar que a arquitetura está em tudo”, diz Raphael Tristão, um dos curadores da Bienal. Ele destaca o desenho da montagem, pensado para evidenciar diferentes sensibilidades regionais. “O percurso convida o visitante a refletir sobre como habitamos e como nossos modos de vida se relacionam com nosso território”, conclui.

Conheça alguns ambientes e seus biomas:

Amazônia

Aqui, a madeira e a vegetação abundante dão o tom. Um dos destaques é a Casa Empate, criada pela arquiteta acreana Marlúcia Cândida com apoio de Marcelo Rosenbaum. O projeto homenageia as mulheres seringueiras que participaram dos “empates” – movimentos de resistência pacífica contra o desmatamento nos anos 1970 e 1980. O resultado é um espaço que mistura tradição, memória e força simbólica.

Cerrado

No Cerrado, predominam as cores terrosas e soluções simples, que remetem à rusticidade típica do bioma. Representando Minas Gerais, a arquiteta Marina Reis apresenta a Casa Adélia Prado, inspirada na obra da poetisa. O projeto traduz a delicadeza do cotidiano, a força do silêncio e a beleza do que é vivido todos os dias. Como diz a arquiteta, “o extraordinário mora no ordinário”.

Caatinga

Os cenários áridos da Caatinga aparecem com texturas secas e técnicas locais que evocam adaptação ao clima. A Casa Trussardi, do estúdio Vida de Vila, traz o uso do Taipal, revestimento que remete à taipa. É um retorno da terra a aplicações mais refinadas, combinando controle térmico, desempenho e responsabilidade ambiental.

Mata Atlântica

Ambientes exuberantes, que vão da praia à cidade, marcam o bioma da Mata Atlântica. O projeto Tão paulista quanto a Avenida, do escritório Os Gêmeos, representa São Paulo e propõe uma experiência sensorial onde natureza, cultura e arquitetura se encontram. Mais do que referências visuais, o espaço sugere uma forma de habitar conectada ao território.

Pampa

No Pampa, o destaque vai para os modos de viver a paisagem sulista, com materialidade terrosa e tradições locais como eixo central. O projeto Querência Amada, assinado pelo Matte Arquitetura e pelo Studio Carbono, de Bento Gonçalves (RS), recria modos de viver das cidades gaúchas e coloca a cozinha como núcleo do espaço – um convite à convivência e à memória afetiva.

Bienal de Arquitetura Brasileira 2026

– Quando: 25 de março a 30 de abril de 2026, das 12h às 21h.

– Onde: Parque Ibirapuera, Pavilhão das Culturas Brasileiras, São Paulo.

Ingressos: R$ 100 (inteira) aos finais de semana e R$ 80 (inteira) durante a semana.

Vendas realizadas exclusivamente pelo site oficial da Bienal.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X