Professora de Cascavel coloca capivara para ensinar Matemática e lança livro
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Por Luiz Haab
Na cidade onde números costumam habitar cadernos, quadros-negros e pesadelos de aprendizagem, uma capivara resolveu atravessar a fronteira da imaginação e virou protagonista de uma nova forma de ensinar Matemática.
Criação made in Cascavel
Essa novidade não é metáfora. Trata-se de método, narrativa e, sobretudo, de uma invenção sensível e criativa da professora Katia Cristiane Seghetto. Há mais de duas décadas ela atua na rede estadual de educação de Cascavel. Há cerca de quatro anos mergulhou de vez no ensino da Matemática, trazendo um olhar menos rígido e com muito mais afeto.
Nasceu a ‘Profe Capivara’
A origem não veio de um plano mirabolante, mas de algo raro e poderoso: a escuta. Dentro da sala de aula, Katia percebeu que o problema não era apenas entender números — era se sentir capaz de dialogar com eles. Faltava leveza. Faltava identificação. Faltava humanidade. Foi aí que a capivara apareceu como resposta.
Animal símbolo de tranquilidade, convivência e paciência, ela passou a representar exatamente aquilo que a professora acredita que a educação precisa oferecer. O que começou como uma ideia espontânea ganhou contorno, voz, histórias — e agora, páginas.
O resultado é o lançamento de Tabuada Encantada da Prof. Capivara e o Museu dos Cálculos Perdidos, obra que mistura narrativa e raciocínio lógico, fantasia e conteúdo, criando uma ponte pouco comum entre emoção e exatidão.
O convite para entrar nesse universo já começa com uma imagem simples e poderosa:
“Você já percebeu que aprender matemática é como subir os degraus de uma escada, degrau por degrau, até você chegar no topo?”, diz a professora Katia ao assumir o papel de Profe Capivara.
A metáfora não para aí. Na floresta criada por Katia, aprender tabuada deixa de ser repetição mecânica e vira experiência. A Profe Capivara conduz suas “capivarinhas” por um percurso onde multiplicar também significa compartilhar — conhecimento, amizade, confiança.
“E o que a capivara tem a ver com a matemática? Tem tudo a ver com a imaginação.”
É nesse território simbólico que o ensino acontece. A calma do animal se transforma em estratégia pedagógica: aprender sem pressa, com segurança, entendendo cada etapa.
Além da floresta
Há também o misterioso Museu dos Cálculos Perdidos — um espaço onde o conhecimento é vasto, mas exige coragem intelectual. Para avançar, é preciso resolver desafios matemáticos. E, ao contrário do medo que muitos estudantes sentem diante de números, aqui o erro não paralisa; ele faz parte da jornada.
“Para você avançar nesse museu, você precisa resolver expressões matemáticas, mas não se preocupe, porque eu sei que você vai conseguir.”
A confiança, aliás, é outro pilar do projeto. Katia não criou um ambiente onde o aluno se sente acompanhado. A Profe Capivara não cobra, mas convida. Não impõe, mas conduz. Não pressiona, mas encoraja.
E talvez seja por isso que a história comece assim:
“O sol nascia preguiçoso sobre o Vale dos Números, quando a turma chegou acompanhada da Prof. Capivara.”
Há poesia onde antes havia bloqueio. Há curiosidade onde antes havia resistência.
O lançamento oficial está marcado para 9 de abril, às 19h, na Biblioteca Pública de Cascavel, e promete ser mais do que um evento literário. Será um encontro entre educação e imaginação, entre professores, alunos e todos que acreditam que aprender pode — e deve — ser significativo.
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