CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

“Me fizeram beber água da privada”, diz preso em audiência de custódia em Cascavel

Publicado em

Homem foi preso suspeito de tentativa de fraude com uso de exames ligados à clínica Unitom...
“Me fizeram beber água da privada”, diz preso em audiência de custódia em Cascavel

Por Redação CGN

A audiência de custódia do homem preso em Cascavel sob suspeita de envolvimento em estelionato utilizando exames da Unitom, trouxe à tona uma série de questionamentos sobre a legalidade da abordagem policial e das provas que sustentam o caso. Durante o ato, a defesa apresentou relatos de possível violência policial, acesso indevido a dados pessoais e entrada em residência sem autorização judicial — pontos que, segundo o advogado, podem comprometer a validade da prisão.

Apesar das alegações, o juízo manteve a prisão preventiva já decretada anteriormente, entendendo que não caberia reavaliar a decisão naquele momento processual.

Entenda o caso

O acusado de aplicar golpes foi detido na tarde de quinta-feira (26) na Rua Duque de Caxias, no centro de Cascavel. De acordo com o soldado Luan Santos, do Pelotão de Choque, o suspeito oferecia atestados e exames clínicos, supostamente emitidos pelo laboratório Unitom, cobrando uma taxa de R$ 4 pela entrega. No entanto, ao efetuar o pagamento, a vítima era surpreendida: embora o visor da maquininha exibisse o valor de R$ 4, o sistema interno alterava a quantia, que podia superar R$ 1.000 ou até R$ 2.000.

No entanto, de acordo com o que consta no termo da audiência, o custodiado foi abordado por policiais militares enquanto estava em uma motocicleta. Ele relatou que, após a abordagem, teve o celular apreendido e acessado pelos agentes ainda no local.

Segundo seu depoimento, os policiais passaram a fazer perguntas com base no conteúdo do aparelho. Em seguida, ele afirma ter sido agredido fisicamente por um dos agentes, com socos no rosto.

O relato vai além. O custodiado afirmou que os policiais o levaram até uma kitnet onde estava hospedado — imóvel alugado por meio de plataforma digital — e que teriam entrado no local utilizando chave e controle retirados de seu bolso, sem autorização.

O que o custodiado alega

Durante a audiência, o homem descreveu uma sequência de agressões e constrangimentos. Segundo ele, já dentro da residência, os policiais realizaram buscas e, diante da ausência de objetos que esperavam encontrar, teriam intensificado a pressão.

Ele afirma, inclusive, que foi forçado a beber água do vaso sanitário, sob ameaça e violência física. Também relatou ter passado mal posteriormente, apresentando sintomas neurológicos, sendo encaminhado pelo SAMU a uma unidade de saúde, onde houve indicação de possível quadro compatível com AVC.

O depoimento aponta ainda que ele não conseguiu avisar familiares sobre a prisão e que o contato com o advogado teria ocorrido de forma indireta.

O que a defesa sustenta

A defesa estruturou sua argumentação em três pontos centrais:

  • possível violência policial durante a abordagem e custódia
  • acesso ao celular sem autorização judicial
  • entrada em domicílio sem consentimento válido

Segundo o advogado, esses elementos podem caracterizar ilegalidades graves, capazes de contaminar as provas produzidas no caso. A defesa também citou entendimentos de tribunais superiores que exigem autorização judicial para acesso a dados de celular e critérios rigorosos para entrada em residência.

Além disso, foi levantada a tese de que, mesmo sob análise cautelar, a prisão preventiva seria desproporcional, já que o crime investigado não envolveu violência direta e estaria na forma tentada.

Manifestação do Ministério Público

O Ministério Público afirmou que várias das alegações da defesa não constam nos autos naquele momento e que a prisão preventiva já havia sido decretada por decisão anterior.

O órgão destacou que eventuais irregularidades devem ser apuradas em momento oportuno, mas que não haveria, na audiência, elementos novos suficientes para justificar a revogação da prisão.

Decisão do juiz

Ao analisar o caso, o magistrado ressaltou que a prisão preventiva já havia sido decretada pelo juiz competente, e que a audiência de custódia, naquele contexto de plantão, não poderia reavaliar essa decisão.

Sobre as alegações de ilegalidade, o juiz apontou que:

  • o próprio custodiado teria indicado que as informações estavam no celular, o que foi interpretado como anuência ao acesso
  • não foram identificados, visualmente, sinais compatíveis com a gravidade das agressões relatadas
  • a versão apresentada pelo custodiado, naquele momento, não seria suficiente para afastar a presunção de veracidade dos atos praticados por agentes públicos

Com base nisso, todos os pedidos da defesa — incluindo o relaxamento da prisão e a concessão de liberdade provisória — foram indeferidos.

Veja também

Notícias Mais Acessadas Agora

Notícias Mais Lidas