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Giacobo rebate Moro em nota oficial após deixar o PL: 'partido contaminado pelo ego'

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Deputado federal rebate críticas do senador e defende saída do partido como ato de coerência; crise já levou dezenas de prefeitos a abandonar a legend...
Imagem referente a Giacobo rebate Moro em nota oficial após deixar o PL: 'partido contaminado pelo ego'
Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

O deputado federal Fernando Giacobo (ex-PL) divulgou nesta sábado (28) uma nota oficial respondendo ao senador Sérgio Moro (PL-PR), num tom áspero que revela a profundidade da crise que se abriu no Partido Liberal do Paraná nos últimos dias. A disputa vai além de uma briga pessoal: ela representa um racha estrutural que pode redefinir o mapa eleitoral do estado em 2026.

O estopim: a filiação de Moro

No dia 24 de março, o senador Sérgio Moro foi filiado ao PL e indicado como pré-candidato ao governo do Paraná. No mesmo dia, Giacobo anunciou que deixava a presidência estadual do partido e se desfiliava da sigla.

Giacobo foi a única liderança estadual esperada pela cúpula nacional do PL que não compareceu ao evento de filiação do ex-juiz da Lava Jato, que contou com o apoio do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A tensão já vinha crescendo há meses. Giacobo lembra que, no início de 2025, havia um acordo entre o PL e o PSD para uma aliança no pleito de 2026 — o PL apoiaria o candidato do governador Ratinho Junior, e o PSD apoiaria o pré-candidato ao Senado do grupo liberal. A chegada de Moro foi interpretada como quebra direta desse pacto.

A nota: Giacobo rebate Moro ponto a ponto

Na nota divulgada hoje, o deputado não poupou o senador. Chamou Moro de alguém que “em três anos não fez nada pela população do Paraná” e rebateu a afirmação de que teria sido expulso do partido: “não fui expulso pelo PL, mas sim apresentei a minha desfiliação ao constatar que o partido foi contaminado pelo ego de alguém que nunca se manteve em um grupo político”, escreveu.

Na segunda parte da nota, Giacobo foi além e evocou um episódio sensível para o eleitorado paranaense: o fato de Moro ter tentado se candidatar ao Senado por São Paulo antes de retornar ao Paraná. “Os paranaenses jamais vão esquecer que Sérgio Moro tentou ser senador por São Paulo”, afirmou o deputado, acrescentando que a esposa do senador também escolheu o estado vizinho como domicílio eleitoral. A conclusão foi direta: “o Paraná nunca será segunda opção na nossa vida política”.

O efeito dominó: debandada histórica de prefeitos

O que poderia ter sido uma briga restrita ao campo interno do partido rapidamente ganhou proporções maiores. No dia 26 de março, quarenta e oito prefeitos e o próprio Giacobo anunciaram desfiliação em massa durante evento em Curitiba, no Centro Cívico da capital.

Dos 53 prefeitos do Partido Liberal no estado, 52 já sinalizaram que vão pedir desfiliação. Entre os que confirmaram a saída estão os prefeitos de Cascavel, Pato Branco, Araucária e Assis Chateaubriand, entre outros.

O argumento ideológico

Além da questão dos acordos políticos quebrados, Giacobo trouxe um argumento de peso para a base bolsonarista. O deputado afirmou não poder concordar que o partido tenha filiado “um cidadão que, quando saiu do Ministério da Justiça, saiu puxando um carrinho dizendo que ia caçar e botar na cadeia um ladrão que estava na presidência chamado Jair Bolsonaro.”

A resposta de Moro e o novo comando do PL-PR

Do lado oposto, Moro afirmou em nota que “a pressão da máquina do governo é previsível e eventuais movimentações nos quadros dos partidos são comuns no período de janela partidária”, e garantiu que “no final do período eleitoral, o PL Paraná estará maior e mais forte”.

No lugar de Giacobo, o deputado federal Filipe Barros assumiu o comando do PL no Paraná, por decisão do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Barros é pré-candidato ao Senado na chapa encabeçada por Moro.

O que está em jogo

Com a saída dos prefeitos, a estrutura de campanha de Sérgio Moro sofre um baque logístico considerável. Sem o apoio das prefeituras, o ex-juiz terá dificuldades para capilarizar sua mensagem no interior do estado.

Os prefeitos dissidentes devem migrar para o PSD ou para partidos que estarão na coligação liderada pelo governador Ratinho Junior nas eleições de 2026. A janela partidária, que permite trocas sem punição para vereadores, encerra-se no dia 3 de abril.

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