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Operação desarticula esquema bilionário de suplementos clandestinos no Brasil

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As investigações apontam que os produtos eram fabricados em Arcos (MG) e comercializados em todo o país por meio de estratégias de marketing digit...
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Foto: Anvisa

Por Diego Cavalcante

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) participou, na manhã desta quarta-feira (25), de uma operação conjunta coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que desmantelou um esquema bilionário de fabricação clandestina de suplementos alimentares.

As investigações apontam que os produtos eram fabricados em Arcos (MG) e comercializados em todo o país por meio de estratégias de marketing digital e programas de afiliados. Durante a ação, foram identificadas diversas irregularidades, como ambientes com sujeira, mofo, matérias-primas expostas, ausência de controle de temperatura e presença de umidade. A empresa operava sem alvará sanitário.

Estrutura clandestina e riscos à saúde

Ao todo, foram fiscalizados três galpões e a matriz do grupo empresarial. Nos locais, eram realizadas etapas como fabricação, encapsulamento, rotulagem, armazenamento e distribuição de suplementos, chás e produtos à base de plantas.

As condições encontradas indicam sérios riscos à saúde dos consumidores, além de possíveis fraudes tributárias. Também participaram da operação as polícias Civil e Militar, Vigilância Sanitária estadual, auditores da Receita Estadual e o Corpo de Bombeiros Militar.

Segundo os órgãos envolvidos, os chamados “encapsulados” eram divulgados como se fossem medicamentos, com promessas terapêuticas — prática proibida para alimentos. Além disso, os produtos não continham os princípios ativos anunciados, caracterizando propaganda enganosa, e eram fabricados fora dos padrões sanitários exigidos.

Durante a fiscalização, foram encontrados equipamentos industriais, grande volume de matérias-primas sem controle de qualidade, cápsulas, produtos finalizados e materiais de embalagem. Em uma área destinada à produção de chás, insumos vegetais eram manipulados em condições extremamente precárias. Uma betoneira de construção civil também era utilizada na fabricação dos produtos.

Na sede da empresa, que também funcionava sem licença sanitária, havia itens em diferentes fases de produção e uma gráfica própria para impressão em larga escala de rótulos irregulares.

Substâncias proibidas e bloqueio bilionário

A investigação ainda identificou indícios do uso de substâncias não autorizadas em suplementos alimentares, como extrato de ginkgo biloba. Também foram apreendidas grandes quantidades de anabolizantes, cuja origem e destino serão apurados.

Diante das irregularidades, os três galpões e a matriz foram interditados. Produtos foram recolhidos para análise e identificação. A operação segue em andamento.

Por determinação do Ministério Público e órgãos fazendários, bens e imóveis dos investigados foram bloqueados, além de valores que somam mais de R$ 1,3 bilhão. Mandados de prisão, busca e apreensão foram cumpridos em cidades do Centro-Oeste de Minas Gerais e no estado de Goiás.

Os investigados podem responder por crimes como associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, crimes contra a saúde pública e contra o consumidor.

Regras para suplementos

Desde 2024, com a entrada em vigor da RDC nº 843, todos os novos suplementos alimentares precisam ser regularizados junto à Anvisa para serem comercializados. Já os produtos que estavam no mercado antes da norma devem se adequar às novas exigências até setembro de 2026, conforme o cronograma estabelecido para cada categoria.

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