
Estudantes que passaram em medicina utilizaram celular como apoio
A investigação teve início após a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) identificar indícios de fraude na referida avaliação, cujos resultados são utilizados como...
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Por Fábio Wronski

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, na tarde desta segunda-feira (23), uma operação para desarticular um grupo suspeito de fraudar certames de interesse público. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Tapejara, Londrina, Maringá e Ponta Grossa, no âmbito da investigação sobre irregularidades na avaliação “Prova Paraná Mais 2025”.
A investigação teve início após a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) identificar indícios de fraude na referida avaliação, cujos resultados são utilizados como critério classificatório para ingresso em instituições públicas de ensino superior do Estado, por meio do programa Aprova Paraná Universidades.
Segundo apurado até o momento, sete alunos teriam obtido aprovação de forma irregular em cursos de alta concorrência. Destes, cinco ingressaram no curso de Medicina em universidades estaduais, incluindo a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
A delegada Taís Mendonça de Melo, responsável pelas investigações conduzidas pelo núcleo de Maringá da Divisão Estadual de Combate à Corrupção (DECOR), informou que dois procedimentos distintos foram instaurados: um inquérito policial para apurar a conduta dos maiores de idade e um boletim de ocorrência circunstanciada para investigar os adolescentes envolvidos, cuja média de idade é de 17 anos.
De acordo com a delegada, durante o cumprimento dos mandados, sete alunos e uma fiscal da prova foram alvos da operação. Os alunos ouvidos relataram ter utilizado celulares durante a realização da prova para acessar as respostas, repassando-as entre si. Ainda não há indícios confirmados de pagamento à fiscal, mas a participação dela, seja por omissão ou facilitação do uso de celulares em sala, está sob investigação. Os aparelhos apreendidos serão analisados para esclarecer a dinâmica da fraude e a possível extensão do esquema.
A delegada explicou que os maiores de idade podem responder pelo crime de fraude a certames públicos e corrupção de menores, enquanto os adolescentes responderão por ato infracional análogo ao mesmo crime. A fiscal investigada poderá ser responsabilizada por fraude ao concurso e possível corrupção.
A escola envolvida está localizada em Tapejara, onde foi identificado um padrão suspeito de respostas entre os alunos. Os mandados foram cumpridos também em Londrina, Maringá e Ponta Grossa, cidades onde os estudantes já estavam inscritos em cursos superiores. A investigação segue para apurar a eventual participação de outros estudantes presentes na sala de aplicação da prova.
A delegada ressaltou que, até o momento, não há confirmação de envolvimento financeiro no esquema, limitando-se a relatos sobre o uso de celulares para obtenção das respostas, possivelmente por meio da internet. Novas diligências e oitivas serão realizadas para aprofundar a apuração dos fatos.
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