Maus-tratos a animais é o segundo crime mais denunciado pelo 181 em Cascavel; veja qual é o primeiro
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Por Luiz Haab
Três teclas digitadas e uma ligação. Pode parecer pouco, mas isso tem feito muita diferença no Paraná. Em 2025, o Disque-Denúncia 181 bateu recorde histórico: foram mais de 120 mil ligações recebidas, das quais 54 mil se transformaram em denúncias efetivas. O volume escancara um dado inquietante: o crime está ativo, mas a população também está reagindo.
Em entrevista ao Estúdio CGN, o chefe do serviço no estado, coronel Walter Aguiar, foi direto ao ponto: o anonimato é total — e isso tem encorajado cada vez mais pessoas a falar.
“O programa realmente é anônimo. Nós não temos identificação… não temos rastreios, não temos identificadores de chamada. Mesmo que seja solicitado pela Justiça, informamos que não temos identificação. É tudo anônimo.”
A inteligência nos bastidores
Por trás de cada denúncia existe um verdadeiro sistema de inteligência. Segundo o coronel, o processo começa no atendimento — por telefone ou site — e passa por uma triagem rigorosa até chegar às forças de segurança.
“Chega a denúncia, ela é digitada, passa por um supervisor, depois segue para o setor de difusão, que decide para qual órgão encaminhar: Polícia Civil, Militar, Penal ou outros”, explicou. É a partir daí que operações são montadas. “Eles vão planejar ações, montar operações, bloqueios, tudo para dar maior efetividade às prisões e solução de crimes.”
O erro que pode custar caro
Um ponto crítico levantado por Aguiar é a confusão entre denúncia e emergência. E isso pode comprometer atendimentos urgentes.
“Quando você precisa de emergência, o telefone é o 190.” Segundo Aguiar, o 181 é voltado principalmente para crimes contínuos ou recorrentes — aqueles que exigem investigação, como tráfico de drogas ou violência doméstica frequente.
Ranking do crime
Os dados revelados na entrevista mostram um cenário preocupante — e, ao mesmo tempo, inesperado. Nos números específicos de Cascavel, o campeão absoluto de denúncias é o tráfico de drogas. Mas o que chama atenção é o segundo lugar: maus-tratos a animais domésticos.
“As pessoas não aceitam mais esse tipo de violência. Elas denunciam mesmo”, destacou o coronel, visivelmente surpreso com a posição no ranking.
Em terceiro lugar aparecem os crimes ambientais. E o coronel também revelou um detalhe alarmante: muitas denúncias de tráfico acabam revelando crimes ainda mais graves.
“Muito homicídio ocorre por causa do tráfico de drogas. A denúncia começa ali e se desdobra em outras situações.” Ou seja, uma informação aparentemente simples pode desmantelar redes criminosas inteiras.
Medo? Não precisa. Prova? Também não.
Um dos maiores obstáculos ainda é o receio de denunciar — seja por medo ou por achar que é preciso apresentar provas. Aguiar desmonta essa ideia: “Não precisa apresentar nada. A denúncia é basicamente informar onde acontece. Claro, quanto mais detalhes, melhor — mas não é obrigatório.”
Violência contra a mulher também entra no radar
Outro ponto reforçado na entrevista é o papel do 181 no combate à violência contra a mulher — tema ainda mais sensível no mês de março.
“Recebemos todo e qualquer tipo de denúncia. Tudo é encaminhado para os órgãos competentes, que tomam as medidas necessárias”, afirmou.
Segundo ele, há um esforço específico das autoridades para dar atenção a esses casos, envolvendo inclusive apoio psicológico e monitoramento.
A mensagem final do coronel foi clara — e quase um chamado à ação: “Você denunciando, contribui com a segurança da sociedade, com a sua segurança e da sua família. A colaboração da população é essencial.”
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