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‘Eu vou te comer’: adolescente diz sofrer assédio dentro de colégio por atleta da base do FC Cascavel

“Um dia a gente estava no corredor da escola, voltando do recreio, e daí ele começou a dar tapa na minha cabeça. Aí eu virei pra...

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Por Luiz Haab

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‘Eu vou te comer’: adolescente diz sofrer assédio dentro de colégio por atleta da base do FC Cascavel

A CGN recebeu uma denúncia, mas vai preservar a identidade de uma adolescente de 14 anos que diz ser vítima de um jovem abusador, dentro da escola onde estuda, no bairro Periolo, em Cascavel.  

“Um dia a gente estava no corredor da escola, voltando do recreio, e daí ele começou a dar tapa na minha cabeça. Aí eu virei pra trás e falei por que que ele tava fazendo isso, né? E daí ele riu. Aí nesse mesmo dia, nesse mesmo corredor, na mesma hora que a gente tava indo pra sala, ele começou a dar chute, tipo assim, na minha canela, né? Tipo uma brincadeira. Aí depois disso foi piorando, tipo ele foi pegando nas partes do corpo, foi falando coisas.”

A intimidação e a violência aconteceram atrás dos muros do Colégio Estadual Marcos Claudio Schuster. De acordo com a estudante, a situação se tornou ainda mais grave na última terça-feira (17), quando as investidas do aluno se tornaram ainda mais explícitas.

“Eu tava na cantina, a gente teve o treinamento do incêndio. E daí a gente subiu pro recreio e a gente tava na frente da cantina, e a cantina é na frente do banheiro dos meninos. E daí nisso ele veio com mais um amigo, e daí a gente acabou parando do mesmo lado, porque a cantina tava cheia. E daí ele falou assim, eu vou te comer. Aí nessa hora eu olhei pra cima e falei o quê? Aí o amigo dele cutucou ele com o cotovelo e falou assim, comer banana, né? E começaram a rir, tipo, como se fosse uma brincadeira. Aí a minha amiga e a gente saiu pra fora do saguão da escola e foi no corredor lá de fora. E daí eu encostei numa parede. E daí nisso ele saiu pra fora também. E daí tinha espaço dos dois lados pra ele passar, mas ele fez questão de passar onde eu tava e esbarrar em mim e pegar no meu corpo mais uma vez.”

A estudante conta que foi imediatamente, aos prantos, até a diretoria. “E daí o diretor falou que não podia fazer nada, porque eles não podem mostrar as câmeras e um monte de coisa. E daí quando a gente tava descendo, o menino veio pra cima de mim, falando que eu tinha ido chorar pra pedagoga, com mais uns seis colegas dele, que também jogam na base do Cascavel, vieram tudo pra cima de mim, gritando e falando um monte de coisa.”

A base do Cascavel, à qual a aluna se refere, são as categorias de base do FC Cascavel. O aluno que teria cometido o assédio tem 17 anos e veio do Rio de Janeiro para jogar na cidade.

“E os meninos do Cascavel, da base do Cascavel, vieram aqui na esquina e começaram a gritar, falando que eles iam bater na gente. Amanhã, se a gente fosse pra escola, e que eles iam atropelar a gente com o caminhão do Cascavel e não sei o que. Falaram um monte de coisa.”

A jovem alega que nunca teve sequer amizade, muito menos contato com o jogador. “A gente nunca tinha conversado nem nada […] Desde a sexta-feira da semana passada, que ele começou a pegar no meu corpo e falar palavras, tipo, convidando pra relações. E como que você reagiu quando isso aconteceu? Eu fiquei com medo e só contei pro meu pai, porque a escola, eu já sabia que eles não iam tomar providências e tal.”

Neste ponto, a adolescente acusa que o colégio foi omisso. “Sim, o momento todo, porque eles estavam defendendo o menino toda hora e insinuando que eu estava mentindo. Eles também falaram que eu dei intimidade pro menino fazer o que ele tava fazendo.”

O pai da aluna  só soube do caso de terça-feira porque, apesar da proibição, a menina estava com o celular na escola e entrou em contato com ele. “Ela mandou no WhatsApp, na verdade, ela estava bem abalada. E aí inclusive depois, em seguida eu fui no colégio, eles não falaram nada de liberar ela e tal. Não contaram que ela estava chorando, ninguém falou nada disso. E ela falou que desde o momento ocorrido até o final da aula, 12h25, ela ficou chorando. E ninguém me comunicou nada sobre isso, né? Aí o diretor falou que não podia mostrar as imagens pra família, a princípio, no momento. E aí hoje a gente voltou na escola, ele falou que as imagens não pegaram nada. As duas câmeras que tem nenhuma pegou, aí fica complicado.”

Pai e filha foram até a delegacia, onde registraram boletim de ocorrência. “Queremos justiça, Porque é complicado isso. Eu acho que nenhum pai aceita isso, né? Ambas as partes, precisam ser responsabilizadas: tanto o aluno quanto os amigos dele, que também ameaçaram, e a escola.

Com medo, a estudante tem preferido não ir às aulas e relembra a sensação.

“Eu me senti extremamente humilhada e desconfortável. Também teve ameaças. Ele falou que ia bater. Hoje a gente nem foi pra escola, porque eu estou sendo ameaçada”, diz a estudante. E o pai completa: “É complicado, né? Porque, tipo assim, a gente não cria filho pra vagabundo ficar passando a mão e assediando, né? É uma coisa inaceitável, eu jamais vou aceitar isso.”

Nós entramos em contato com o Núcleo Regional de Educação, que responde pelos colégios da rede estadual. O núcleo disse ter entrado em contato com a pedagoga do FC Cascavel, que é a tutora dos jovens aqui na cidade. Em comum acordo, o aluno e atleta foi transferido, na tarde desta quinta-feira (19) para outro colégio da rede pública.

Nós também entramos em contato com o FC Cascavel, que informou que o caso está sendo acompanhado pelo coordenador de base do clube, que estuda as medidas cabíveis.

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