
Autismo explode na rede municipal de Cascavel e educação especial pressiona orçamento de R$ 600 milhões
“Só de 2024 para cá nós ampliamos em 63% o número de alunos com deficiência. Hoje temos cerca de 1.500 estudantes apenas com transtorno do espectro...
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Por Luiz Haab

O número de alunos neurodivergentee — especialmente com Transtorno do Espectro Autista — disparou nas escolas da rede municipal de Cascavel e já força a prefeitura a rever estrutura, contratações e até a criação de novos serviços especializados. A informação foi trazida com exclusividade à CGN pela secretária municipal de Educação, Gislaine Buraki, em entrevista ao Estúdio CGN. Segundo ela, em pouco tempo o cenário mudou drasticamente.
“Só de 2024 para cá nós ampliamos em 63% o número de alunos com deficiência. Hoje temos cerca de 1.500 estudantes apenas com transtorno do espectro autista na rede municipal”, afirmou.
O salto impressiona: antes eram pouco mais de 800 alunos, e agora o número praticamente dobrou — tendência que, segundo a secretária, continua crescendo.
Futuro das APAEs
A discussão sobre o papel das instituições especializadas também chegou ao município. Em meio ao debate nacional sobre o possível fim ou reformulação das Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs), a secretária diz manter boa parceria com entidades locais. Buraki citou diretamente o trabalho da APAE de Cascavel e da APOFILAB, que atendem estudantes da rede municipal.
“O trabalho deles é fundamental. Nós temos alunos da rede municipal sendo atendidos nessas associações e também fazemos o repasse de recursos”, afirmou.
Nova clínica-escola e pressão por estrutura
Com o aumento acelerado de diagnósticos e demandas educacionais, a secretaria de Educação já planeja ampliar a rede de atendimento especializado. Atualmente existe uma clínica-escola municipal na região do bairro Tropical. A gestão do prefeito Renato Silva prevê criar uma segunda unidade na região Norte da cidade. A proposta surge porque o crescimento dos casos de neurodivergência tem pressionado todo o sistema educacional.
A rede municipal já conta com cerca de 400 profissionais ligados à educação especial, entre professores de apoio pedagógico (PAPs) e docentes que fazem a rotatividade no atendimento. Diante do aumento da demanda, a prefeitura iniciou novas convocações de professores e deve ampliar o quadro:
• 171 profissionais já foram chamados recentemente
• Mais 250 professores serão convocados (via concurso e processo seletivo)
Orçamento
Outro ponto sensível revelado pela secretária é o peso financeiro da educação. A pasta tem orçamento previsto de cerca de R$ 600 milhões, mas 69% do valor já está comprometido com folha de pagamento. Isso limita novas contratações e exige cautela da prefeitura.
“Precisamos analisar o impacto no índice prudencial do município e acompanhar se o orçamento realmente vai se concretizar”, explicou a secretária.
Falta de professores pode virar crise
Além da explosão de diagnósticos, outro problema preocupa a secretaria: a queda no número de estudantes nas licenciaturas. Para Buraki, isso pode gerar escassez de professores no futuro.
“A longo prazo vamos ter falta de profissionais. Isso já está batendo à porta.”
Novo cargo pode surgir nas escolas
A prefeitura também estuda criar um novo tipo de profissional na educação especial, voltado principalmente ao acompanhamento comportamental de alunos. A ideia segue diretrizes de um parecer do Governo Federal que orienta a presença de um atendente educacional para dar suporte direto em sala.
Segundo a secretária, a meta é acelerar o atendimento de crianças que já possuem diagnóstico e precisam de acompanhamento imediato.
“Não basta apenas avaliar a criança. Precisamos garantir condições reais de desenvolvimento dentro da escola.”
Clique no vídeo e assista à entrevista.
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