
“Desafio”: com imigração venezuelana e haitiana, alunos estrangeiros ocupam até 25% da rede municipal de Cascavel
Ao todo, 2.361 estudantes imigrantes, vindos de mais de 20 nacionalidades, frequentam as escolas da cidade. A maioria é formada por venezuelanos, mas também há alunos...
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Por Luiz Haab

A presença de crianças estrangeiras nas escolas municipais de Cascavel cresce ano após ano e já representa um novo desafio para professores e gestores da educação. Hoje, 7 em cada 100 alunos matriculados na rede municipal são de outros países, segundo dados da Secretaria Municipal de Educação.
Ao todo, 2.361 estudantes imigrantes, vindos de mais de 20 nacionalidades, frequentam as escolas da cidade. A maioria é formada por venezuelanos, mas também há alunos haitianos, egípcios e de diversas outras origens, formando uma imensa e desafiadora mistura cultural dentro das salas.
A secretária de Educação de Cascavel, Gislaine Buraki, explica que essa diversidade exige uma preparação maior das escolas.
“A cada 100 crianças matriculadas nas escolas de Cascavel, sete são estrangeiras, é um número considerável. Em algumas escolas chega a ser um quarto da turma. O professor precisa trabalhar não só o conhecimento científico, mas também a base cultural e as relações étnicas, além da questão da linguagem”, afirma.
Em algumas escolas, estrangeiros são 25% dos alunos
Em determinadas unidades, a presença de estudantes de outros países é ainda mais expressiva. É o caso da Escola Municipal Professora Maria Fagnani, na região do bairro Rio da Paz. A escola tem 590 alunos matriculados, sendo 151 estrangeiros — cerca de 25% dos estudantes. Isso significa que um em cada quatro alunos da unidade é imigrante, muitos deles falando idiomas como espanhol ou crioulo em sala de aula.
Segundo a secretária, esse cenário exige novas estratégias pedagógicas.
“O professor precisa buscar mais formação, trabalhar muitas vezes com apoio de tradutor e desenvolver atividades que integrem essas crianças culturalmente”, explica.
Língua portuguesa é um dos maiores desafios
Entre as principais dificuldades está o ensino da língua portuguesa para alunos que chegam sem falar o idioma.
Para enfrentar essa situação, a rede municipal já discute novas ações, como o contraturno escolar específico para alunos estrangeiros, com reforço na aprendizagem da língua.
“A criança que está no município e tem idade escolar precisa estar matriculada. É um direito. Muitas delas inclusive nasceram no Brasil, mas vêm de famílias com outra cultura e outro idioma”, destaca Gislaine.
Projeto com aulas de espanhol ganha força
Algumas escolas já começaram a criar iniciativas próprias para ajudar na integração. Na Escola Aníbal Lopes da Silva, por exemplo, a equipe pedagógica iniciou um projeto voltado ao ensino de espanhol no contraturno para apoiar alunos estrangeiros.
A ideia é facilitar a comunicação enquanto as crianças avançam no aprendizado do português.
Ao mesmo tempo, a Secretaria de Educação também discute ampliar o ensino de línguas estrangeiras na rede, incluindo o inglês, criando um ambiente educacional ainda mais multicultural.
Professores enfrentam novo cenário
Para os educadores, o desafio vai além do idioma. Em uma mesma sala podem existir três ou quatro nacionalidades diferentes, com costumes, histórias e níveis de aprendizagem distintos.
“O professor tem que trabalhar as defasagens de aprendizagem, as diferenças culturais e ainda lidar com várias línguas dentro da sala de aula. É um grande desafio para todos nós”, afirma a secretária.
Apesar das dificuldades, a Secretaria avalia que o contato entre culturas também traz ganhos importantes para os estudantes brasileiros.
A meta agora é fortalecer a integração entre as famílias imigrantes e a comunidade escolar, garantindo que essas crianças aprendam o português e, ao mesmo tempo, tenham suas culturas respeitadas.
“Precisamos reconhecer as especificidades dessas famílias, mas também ajudá-las a compreender a cultura brasileira”, conclui Gislaine Buraki.
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