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Ferrari perdeu a chance de vencer o GP da Austrália por decisão estratégica?

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Reprodução: F1TV

Por Diego Cavalcante

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A vitória de George Russell e a dobradinha da Mercedes no GP da Austrália de Fórmula 1, disputado neste domingo (9), levantaram um debate estratégico após a corrida. A Ferrari poderia ter vencido a prova se tivesse tomado decisões diferentes durante os períodos de safety car virtual (VSC)?

Charles Leclerc liderava a corrida na volta 12, em uma disputa extremamente apertada com Russell. Os dois protagonizaram várias ultrapassagens nas primeiras voltas, enquanto Lewis Hamilton aparecia logo atrás, em terceiro lugar, a apenas um segundo do piloto da Mercedes.

Primeiro safety car virtual mudou o rumo da prova

Na volta 12, um safety car virtual foi acionado após problemas no carro de Isack Hadjar, da Red Bull. A Mercedes aproveitou imediatamente a oportunidade e chamou Russell e Andrea Kimi Antonelli aos boxes para trocar os pneus médios pelos duros.

A Ferrari, porém, decidiu manter Leclerc e Hamilton na pista. A decisão chamou atenção porque uma parada durante VSC costuma economizar cerca de 10 segundos em relação a um pit stop feito com a corrida em ritmo normal.

O problema era estratégico. Parar tão cedo significaria tentar completar praticamente toda a corrida com um único jogo de pneus duros — cerca de 46 voltas restantes — algo que ainda gerava dúvidas naquele momento.

Durante os treinos, havia sido registrado desgaste irregular nos pneus dianteiros, o chamado graining, o que poderia comprometer a durabilidade do composto.

Ferrari apostava em estratégia de duas paradas

Segundo o chefe da Ferrari, Fred Vasseur, naquele momento ninguém acreditava que seria possível completar a prova com apenas uma parada.

“A essa altura da corrida ninguém esperava fazer apenas uma parada. Nós buscamos o que acreditávamos ser a melhor estratégia, que era prolongar o primeiro stint”, afirmou.

Mesmo acreditando em duas paradas, a Ferrari optou por não parar. O motivo foi estratégico: a equipe acreditava que o carro da Mercedes era mais rápido e que precisaria de uma vantagem tática para vencer a corrida.

Ferrari esperava outro safety car virtual

Leclerc indicou após a corrida que a equipe também apostava na possibilidade de novas interrupções.

Segundo ele, havia histórico de incidentes ao longo do fim de semana em Melbourne.

“Foi uma escolha consciente. Desde o primeiro treino sempre houve algum carro parado na pista. Sabíamos que havia grandes chances de aparecer outro VSC e decidimos esperar”, explicou o piloto monegasco.

Hamilton, porém, discordou parcialmente da decisão e chegou a reclamar pelo rádio durante a corrida.

“Pelo menos um de nós deveria ter parado”, disse o heptacampeão.

A lógica seria dividir estratégias entre os dois carros da Ferrari, garantindo alternativas dependendo do comportamento da corrida.

Segunda chance estratégica também foi perdida

Seis voltas depois do primeiro VSC, um novo safety car virtual foi acionado após problemas no carro de Valtteri Bottas, da Cadillac.

No entanto, Leclerc já havia passado pela entrada do pit lane quando a intervenção foi anunciada. Hamilton ainda poderia ter parado, mas a equipe não o chamou imediatamente.

Frustrado, o britânico questionou pelo rádio: “Como vocês não chamaram?”

Além disso, bandeiras amarelas já estavam sendo exibidas cerca de 19 segundos antes da ativação oficial do VSC, o que poderia ter permitido uma antecipação estratégica.

Paradas tardias custaram tempo precioso

Quando a Ferrari finalmente realizou seus pit stops — Leclerc na volta 25 e Hamilton na 28 — a corrida já estava em ritmo normal.

Na prática, a equipe perdeu aproximadamente 10 segundos em relação ao tempo que teria economizado se tivesse parado durante o safety car virtual.

Isso também permitiu que a Mercedes mantivesse posição de pista e administrasse melhor o desgaste dos pneus, tornando viável completar a prova com apenas uma parada.

Mercedes percebeu cedo que estratégia funcionaria

Já na volta 29, Russell comunicou pelo rádio que acreditava ser possível completar a corrida com apenas um pit stop.

A decisão final foi tomada cerca de 20 voltas antes do fim, quando a Mercedes concluiu que não seria necessário parar novamente.

Mesmo com as Ferraris se aproximando, o ritmo não era suficiente para ameaçar a liderança.

Ferrari tinha ritmo para brigar pela vitória

Nas primeiras voltas, Leclerc conseguiu manter Russell sob pressão e demonstrou ter boa estratégia de uso de energia do sistema híbrido ao longo da volta.

Mesmo quando Russell ultrapassava nas retas, o piloto da Ferrari conseguia recuperar a posição em outros trechos do circuito, especialmente na aproximação da Curva 9.

O piloto da Mercedes chegou até a travar os pneus em uma tentativa de ultrapassagem, quase perdendo posição para Hamilton.

Classificação pode ter influenciado decisão

A Ferrari também pode ter sido influenciada pelo desempenho dominante da Mercedes na classificação.

No sábado, Russell havia sido cerca de 0,8 segundo mais rápido que os rivais, o que pode ter levado a equipe italiana a acreditar que precisaria apostar em uma estratégia diferente para vencer.

“Na corrida estivemos mais próximos. Não significa que éramos os mais rápidos, mas estávamos mais perto do que na classificação”, afirmou Leclerc.

Vasseur também avaliou que a Mercedes tinha vantagem de três a quatro décimos por volta durante a prova.

Já Russell afirmou que o desempenho visto na corrida estava mais próximo do que a equipe esperava para o fim de semana.

Estratégia custou chance de vitória

Com o benefício da análise após a corrida, fica claro que a Ferrari perdeu a oportunidade de lutar pela vitória ao não parar durante o primeiro safety car virtual da prova.

Se tivesse feito o pit stop naquele momento, Leclerc provavelmente manteria a liderança e teria condições reais de defender a posição até o final.

A escolha estratégica acabou abrindo caminho para a Mercedes conquistar uma dobradinha logo na primeira corrida da temporada 2026 da Fórmula 1.

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