"Ele mora lá dentro do cemitério": Servidor da Acesc, vítima de tentativa de homicídio relata medo de voltar ao trabalho

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Por Diego Cavalcante

Atualizado em: 03/03/2026 às 15:45

A CGN teve acesso ao depoimento prestado pelo funcionário do Cemitério Central de Cascavel que foi alvo de uma tentativa de homicídio na manhã desta segunda-feira (2), em Cascavel. O servidor foi ouvido pelo delegado plantonista da Polícia Civil e detalhou como ocorreu a agressão.

Segundo o relato, ele chegou para trabalhar por volta das 7h50, cumprimentou os colegas e, ao passar pelo portão de entrada, ouviu um grito de alerta.

“Alguém gritou ‘cuidado’. Quando eu vi, a faca reluziu. Ele veio para cima de mim”, contou.

O trabalhador afirmou que conseguiu se defender e atravessou a rua, buscando abrigo até a chegada do encarregado. Ele destacou que o suspeito é um homem que, segundo ele, mora dentro do cemitério.

“Ele mora lá dentro do cemitério. Eu vejo ele todos os dias”, declarou.

O funcionário disse ainda que nunca teve desentendimentos com o autor e que a motivação seria uma suposta acusação de furto de ferramentas ocorrido dias antes dentro do espaço. Conforme o depoimento, o suspeito teria dito que “ia matar” a vítima por acreditar que ela o teria acusado.

A tentativa de agressão teria ocorrido de forma rápida. O homem afirmou que o suspeito tentou atingi-lo uma vez com uma faca, mas não conseguiu acertar o golpe.

“Tentou. Ainda bem que eu me defendi. Foi muito rápido”, relatou.

Mesmo após a primeira investida, o suspeito voltou a ameaçá-lo, inclusive na presença de colegas e do encarregado. Quando a equipe da Guarda Municipal de Cascavel chegou ao local, o homem ainda estaria fazendo ameaças.

“Falou que ia me matar, que a hora que saísse eu ia ver”, afirmou.

O servidor relatou estar emocionalmente abalado e pediu providências para garantir sua segurança, já que realiza plantões sozinho aos finais de semana.

“Hoje eu não consigo trabalhar. Eu estou muito abalado. Nunca tinha passado por isso”, disse, ao solicitar medida protetiva.

Liberdade provisória com restrições

A CGN também teve acesso ao alvará de soltura expedido pela 1ª Vara Criminal de Cascavel.

O juiz Marcelo Carneval concedeu liberdade provisória sem fiança ao investigado, mas impôs medidas cautelares, entre elas:

  • Proibição de se aproximar da vítima e do local de trabalho pelo limite mínimo de 300 metros;
  • Proibição de se ausentar da comarca por mais de sete dias sem autorização judicial;
  • Obrigação de comparecer a todos os atos do processo.

No documento, consta que o autuado foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e que estava embriagado no momento dos fatos.

Autor “mora no cemitério”, diz vítima

Um dos pontos que mais chama a atenção no caso é a informação prestada pela vítima de que o suspeito residiria dentro do Cemitério Central. Ele afirmou que o homem permanece diariamente no local e que os próprios trabalhadores costumam ajudá-lo com alimentação e roupas.

Procurado pela CGN, o superintendente da Acesc, Romulo Quintino, disse que a entidade não tem conhecimento oficial de que alguém more no interior do cemitério.

Segundo ele, existe uma grande praça em frente ao espaço, o que pode explicar a permanência constante de pessoas nas imediações.

Romulo também destacou que a Acesc está desenvolvendo um projeto de amplo monitoramento no Cemitério Central, com instalação de câmeras em toda a área para coibir furtos e reforçar a segurança.

Ele afirmou ainda que a Guarda Municipal tem realizado rondas frequentes no local e que o servidor envolvido na ocorrência passa, a partir de agora, a trabalhar com a equipe volante da instituição.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Foto: GM

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