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Após denunciar suspeita de maus-tratos a cachorro, jovem diz que família vive sob ameaças em Cascavel: “Minha mãe tem medo até de abrir a janela”

O caso, registrado na Rua Telvino Gallina, mobilizou a Guarda Municipal e atendimento veterinário. O animal, um Beagle, foi encontrado com lesões graves e intenso sangramento...

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Por Luiz Haab

O que começou como um pedido de socorro para salvar a vida de um animal terminou em uma onda de ataques, exposição e medo. A jovem que denunciou o próprio pai após encontrar o cachorro da família gravemente ferido no Bairro Santa Felicidade, em Cascavel, afirma agora que, além do pai, ela, a mãe e o esposo estão vivendo sob ameaças constantes.

O caso, registrado na Rua Telvino Gallina, mobilizou a Guarda Municipal e atendimento veterinário. O animal, um Beagle, foi encontrado com lesões graves e intenso sangramento no ânus. O tutor, de 45 anos, chegou a ser preso e encaminhado à delegacia. A investigação segue e um laudo técnico deve apontar a causa exata das lesões.

Enquanto o inquérito avança, a família relata estar no centro de uma exposição que ultrapassou os limites da indignação.

“Eu queria tentar desvincular um pouco dessa imagem que estão tentando criar do que aconteceu com o meu pai e com a nossa oficina”, desabafa a jovem. Segundo ela, o estabelecimento comercial da família passou a ser alvo direto de ameaças.

“A nossa oficina não tem nada a ver com isso, ela é o nosso ganha-pão, o nosso sustento. Agora tem uma linha separando o meu pai da gente por conta da oficina. Minha mãe e meu esposo estão administrando. A gente não compactua com qualquer ato de violência.”

Ela relata que comentários nas redes sociais passaram a divulgar endereço, fotos da residência e do local de trabalho da família.

“Estão colocando o endereço da casa dela, foto da casa dela, o endereço da oficina, falando que vão ir lá, que vão apedrejar, que vão jogar gasolina. Tem muita coisa ruim mesmo”, afirma.

O impacto tem sido direto na rotina da mãe. “Às vezes ela tem medo de sair de casa, de ficar em casa com a janela aberta. Ela está passando por um momento mais delicado do que qualquer outra pessoa nesse momento.”

Denúncia partiu da própria filha

A jovem também falou sobre o peso da decisão de acionar a polícia. Parte das críticas que recebe questiona justamente o fato de ter denunciado o pai.

“Muitas pessoas falam que eu fui muito corajosa. Outras dizem: ‘como ela foi capaz de denunciar o pai?’”, conta.

Ela afirma que a decisão foi tomada no desespero, ao ver o estado do animal. “Qualquer pessoa vendo o que a gente viu pessoalmente, presenciando aquilo, agiria com a emoção naquele calor do momento de ligar para a polícia. O cachorro poderia morrer de hemorragia naquele momento. Não tinha o que fazer.”

Ao mesmo tempo, a jovem ressalta que as circunstâncias exatas do ferimento ainda dependem de comprovação técnica.

“Eu não tenho prova concreta nenhuma. Eu não tenho conhecimento veterinário, nenhuma área médica para ter essa noção do que foi ou não foi. O veterinário disse que até o fim da semana que vem deve sair o laudo.”

A jovem diz que, além do medo, a família enfrenta uma avalanche de julgamentos e mensagens violentas.

“Todo mundo nos comentários está falando que quer matar, que quer isso, quer aquilo. Não é a mesma coisa você ver um caso na TV. Ele é meu pai. É diferente.”

Mesmo reconhecendo a gravidade do que foi encontrado na residência, ela pede que a população aguarde as conclusões da investigação e cesse as ameaças.

“Eu peço respeito, consideração, compaixão. Imaginem se fosse com cada um de vocês. A gente já está sofrendo com tudo isso. Não é justo perder tudo por causa de um ato que a gente não compactuou e que nem sabia que ia acontecer.”

Ela também enfatiza que eventuais decisões judiciais não dependem da família. “Se ele foi solto ou se alguma decisão revoltou a população, isso não é culpa nossa. Depende única e exclusivamente do Judiciário.”

Investigação segue

O caso está sendo apurado pela Polícia Civil e o resultado do exame veterinário deverá esclarecer como a lesão foi provocada. O homem chegou a ser autuado com base na legislação de crimes ambientais, que prevê reclusão, multa e proibição de guarda de animais em caso de condenação por maus-tratos.

Enquanto a investigação caminha, a jovem tenta lidar com a exposição repentina e as consequências que, segundo ela, recaíram sobre quem não está sob investigação.

“Isso é uma coisa que deixa a pessoa doente. Às vezes a gente não pode nem sair de casa por causa disso”, conclui.

O alerta agora não é apenas sobre a violência contra animais — que deve ser denunciada e investigada —, mas também sobre os limites da revolta nas redes sociais. A linha entre indignação e ameaça pode ser tão perigosa quanto o próprio crime que se quer combater.

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