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“Fugiu, mas a morte esperava no cemitério”: família tenta entender misterioso assassinato em Cascavel

A vítima: Edmilson Mendes dos Santos, 40 anos. Chapeador conhecido na região, pai de quatro filhos — três ainda menores —, voluntário numa casa de fé...

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Por Luiz Haab

Na noite de 28 de novembro de 2025, a rotina de um trabalhador terminou diante dos muros silenciosos do Cemitério do Guarujá, em Cascavel. O que aconteceu entre o último gole de cerveja e os golpes de faca ainda é um quebra-cabeça com peças faltando.

A vítima: Edmilson Mendes dos Santos, 40 anos. Chapeador conhecido na região, pai de quatro filhos — três ainda menores —, voluntário numa casa de fé às sextas-feiras. Um homem descrito pelos amigos como expansivo, brincalhão, incapaz de sair do mercado sem fazer um novo conhecido. Mas, naquele dia, algo saiu do roteiro.

A última conversa

Segundo o patrão, por volta das 17h, Edmilson avisou que iria para casa, tomaria um banho e sairia para “tomar uma cerveja”. Nada incomum. Trabalhava de domingo a domingo, sem horário fixo para começar ou terminar. Aquele seria apenas um happy hour.

Alguns dias antes ele havia encerrado um relacionamento com uma companheira com quem viveu alguns meses. Não era um casamento formal, mas moravam juntos. A separação, ao que tudo indica, não tinha histórico de conflitos graves. Pelo menos, nada que a família soubesse.

No bar que frequentava havia mais de 15 anos, Edmilson não estava sozinho. Informações repassadas à família indicam que ele bebia com um casal. O mesmo casal que, dias depois, seria preso sob suspeita de mata-lo.

Imagens, segundo relato dos familiares, mostram a participação dos dois. Mas o conteúdo dessas gravações nunca foi exibido à família.

Corrida para a escuridão

Em determinado momento da noite, algo aconteceu. A versão que circulou aponta que Edmilson fugiu do bar em direção ao cemitério do bairro. Havia um velório acontecendo naquele instante.

Testemunhas teriam relatado à polícia que ele buscava proteção. A família, porém, nunca teve acesso aos depoimentos. Não sabe se ele estava assustado, ferido ou ameaçado.

A moto de Edmilson foi encontrada dentro do cemitério. Capacete pendurado, documentos guardados, chave recolhida pelo coveiro. Um detalhe intriga os parentes: se ele tentou escapar, por que não fugiu com a moto? Por que correu a pé?

Ao sair do cemitério, Edmilson foi alcançado e esfaqueado. A violência foi descrita como brutal. O rosto ficou desfigurado. O velório ocorreu com caixão lacrado.

“A gente perdeu o direito da última imagem”, desabafa um familiar.

O casal e o silêncio

Os dois suspeitos foram presos. A família, no entanto, afirma não saber quem são. Não receberam nomes, não viram fotos, não sabem se já cruzaram com eles antes.

A comunicação com os investigadores cessou após as prisões. A Polícia Civil teria informado que reuniu as provas necessárias e que o caso era complexo.

Resta agora o trâmite judicial. Uma audiência foi marcada para o dia 13 de março, no Fórum de Cascavel.

Crime de ódio?

A pergunta que ecoa entre família e amigos é: “qual foi a motivação?”

Não houve relato de dívidas, envolvimento com drogas ou histórico de violência. Edmilson bebia socialmente. Trabalhava duro. Era presente na vida dos filhos. Dedicava as tardes de sexta-feira ao voluntariado religioso, sem receber nada em troca.

A crueldade dos ferimentos levantou entre os familiares a suspeita de um ataque movido por fúria extrema — algo pessoal, talvez um desentendimento banal que escalou em segundos.

Mas também há o medo de que exista algo além do que foi revelado.

“Quero acreditar que foi algo isolado, um momento de fúria”, diz um dos entrevistados. “Seria mais fácil seguir a vida assim.”

Pontas soltas

• O que desencadeou a perseguição do bar ao cemitério?

• Por que a moto ficou para trás?

• Houve discussão anterior?

• O casal agiu sozinho?

• O que mostram exatamente as câmeras de segurança?

Sem acesso aos autos, a família vive de hipóteses. E de silêncio.

Justiça como resposta

Três meses depois, a dor permanece crua. Os filhos crescerão com a ausência. A despedida foi interditada pelo caixão fechado. A memória, marcada pela violência. A família também pede justiça.

Qualquer informação que possa ajudar nas investigações pode ser repassada anonimamente pelo 181 (Polícia Civil), 190 (Polícia Militar) ou 153 (Guarda Municipal).

O caso de Edmilson Mendes dos Santos segue como um enigma que a cidade ainda precisa decifrar.

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