
‘Passou duas vezes pelo forno’: Professor que fez “brincadeira” com tom ofensivo é processado por família de aluna
Em sua defesa, o educador relatou que essa é uma brincadeira familiar e que não tinha por objetivo ofender a menina......
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Por Ricardo Oliveira

Um comentário considerado ofensivo ou até mesmo preconceituoso resultou em processo contra um Professor que atua na rede estadual de ensino, na área rural de Cascavel.
Segundo o que consta na decisão publicada no Tribunal de Justiça, durante a aula o educador teria perguntado a uma aluna se ela tinha mais irmãos e diante da resposta positiva, comentou que o garoto, irmão da menina, era baixinho e gordinho, além de ter olhos claros.
Não se contentando com o uso dos adjetivos, teria sugerido que ela não se parecia com o irmão, já que ela era ‘preta’ e a indagou se a menina tinha passado ‘duas vezes pelo forno’, por ser daquela cor.
Em depoimento, o acusado disse que fez o comentário, pois seria uma ‘brincadeira’ costumeira no seu seio familiar, já que ele tem a pele mais clara do que a dos irmãos e que não era o objetivo ofender a aluna.
“O próprio acusado, em seu interrogatório judicial, a despeito de haver sustentado que em nenhum momento procurara ofender sua aluna, acabara admitindo que, em momento inapropriado, interrompera a chamada ao mencionar o nome da ofendida, afirmando, na presença de seus demais alunos, que ela era mais “morena” que seu irmão que reputa ser mais “loiro” – , tendo, inclusive, a ousadia de dizer, na frente de todos os demais alunos, que possui uma brincadeira no seio de sua família, consistente em dizer que seus irmãos — que reputa terem uma pele mais escura que a sua — “passaram duas vezes no forno”. Ainda que o acusado tenha sustentado, em seu interrogatório judicial, que teria realizado essa afirmação referindo-se à sua própria família e a seus irmãos, como o próprio acusado admite que essa expressão fora realizada imediatamente após destacar, em bom tom e na presença de todos os seus demais alunos, que a garota era mais escura que seus irmãos, é óbvio que isso fora dito à guisa de afirmação indireta e reflexa, de modo a também estendê-la à ofendida”, destacou o juiz.
Por conta do comentário, a menina foi embora chorando e ao chegar em casa relatou ao pai o que tinha acontecido. O genitor além de procurar o Colégio decidiu acionar o Professor judicialmente.
O juiz em sua decisão reforçou que o comentário feito durante a aula não condiz com sua posição social que é de educador, tendo esse, violado direitos.
“O delito em tela fora cometido pelo acusado com abuso de poder e com violação dos deveres de lealdade, urbanidade e assistência educacional inerentes à sua profissão de professor de ensino fundamental”.
No primeiro momento ele foi condenado a um ano e dois meses de prisão em regime aberto, mas a pena foi convertida em serviços comunitários e pagamento de um salário mínimo à garota ofendida.
O Núcleo Regional de Educação foi comunicado da decisão da Justiça, caso queira tomar alguma medida administrativa e o caso cabe novo recurso.
Há cerca de dois anos o mesmo educador também se envolveu em uma confusão ao enviar fotos com teor erótico a uma aluna de um Colégio da região Norte da cidade.
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