
Associação nasce após morte do Soldado Rubenich para amparar famílias de policiais mortos em combate
Entidade nasce em resposta a episódios de violência e busca oferecer assistência jurídica, psicológica, financeira e midiática aos policiais e seus familiares...
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Por Fábio Wronski

Cascavel presenciou, nesta sexta-feira (20), a fundação da Associação Fraternidade Policial, organização sem fins lucrativos registrada sob o CNPJ nº 65.036.330/0001-82. A iniciativa reúne representantes dos órgãos de segurança pública previstos no artigo 144 da Constituição Federal e surge com o propósito de suprir uma antiga lacuna de amparo e apoio aos profissionais que dedicam suas vidas à proteção da sociedade.
A fundação da entidade ocorre em um contexto marcado por recorrentes episódios de violência que atingem não apenas os policiais, mas também seus familiares. Um caso recente que sensibilizou a região foi o homicídio do Soldado Ariel Rubenich, deixando sua esposa viúva e dois filhos, de apenas seis meses e quatro anos, privados da presença paterna. A tragédia evidenciou a urgência de iniciativas voltadas ao suporte e solidariedade aos profissionais de segurança e suas famílias.
A Associação Fraternidade Policial tem como principais objetivos a prestação de assistência jurídica, psicológica, financeira e midiática ao policial vitimado ou a seus familiares, podendo os apoios serem concedidos de forma cumulativa ou isolada, conforme a necessidade identificada pela Diretoria da entidade.
O Major Diego Astori, eleito vice-presidente da Associação, destacou a importância histórica do momento vivido em Cascavel e o potencial da entidade para alcançar abrangência nacional. “Essa associação tem um potencial para crescer em nível nacional, justamente pelo apoio e respaldo que vai dar para a família policial, quando é vítima, seja de um crime, seja de um acidente. Quando a gente fala policial, é um policial em sentido amplo, todos aqueles do artigo 144 da Constituição, guardas municipais, agentes de trânsito, corpo de bombeiros. A imprensa está dando esse grande apoio para nós, de divulgação, de notoriedade. A gente afirma aqui que ninguém é candidato a nada, a gente só quer ajudar esses policiais, ajudar essas famílias, começando aí com o caso da família Rubenich”, afirmou Astori.
Daniela, esposa do Soldado Rubenich, relatou as dificuldades enfrentadas para obtenção da pensão pós-morte e ressaltou o apoio recebido da corporação e da comunidade. “É um pouco demorado e existe bastante documentação. A morte dele foi em novembro, então a gente agora tá em fevereiro e essa semana eu consegui enviar as últimas documentações que faltaram. Se não tiver tudo certinho não é liberado o auxílio, a pensão por morte”, explicou. Ela destacou ainda a solidariedade dos colegas de farda e da comunidade, que realizaram uma vaquinha para ajudar a família a quitar dívidas e dar continuidade à construção da casa. “O sentimento é de gratidão mesmo, mesmo num momento difícil, eles já vêm me ajudando há algum tempo, desde o momento da morte”, completou Daniela.
Rafael de Lorenzo, presidente da Associação Fraternidade Policial e vice-presidente da ACIC (Associação Comercial e Industrial de Cascavel), ressaltou a importância da colaboração da sociedade civil para garantir a segurança dos policiais e de suas famílias. “Dependendo da ação pontual que a gente tiver uma necessidade, verificando junto à família ou aos órfãos, vamos poder fazer arrecadações pontuais, contato com faculdades para viabilizar bolsas de estudos e principalmente conversar com a família para verificar as necessidades emergenciais a curto e longo prazo”, explicou.
O tenente-coronel Divonsir de Oliveira Santos, comandante do 6º BPM, destacou o valor do apoio da população aos profissionais da segurança pública. “O que mais marca aqui é isso, é a importância de ver pessoas do mundo civil, pessoas que não têm diretamente vínculo com a segurança pública, envolvidas para ajudar os profissionais de segurança pública. Eu sempre digo, motive, proteja, ajude e valorize. Um profissional valorizado, um profissional motivado vai fazer muito mais por você mesmo que está o ajudando”, afirmou.
Luciano Katarinhuk, advogado da associação, enfatizou o papel do assistente de acusação no processo judicial. “O assistente de acusação para a família é os olhos, os ouvidos e a boca dentro do processo. É trabalhar para que aquela pessoa que cometeu esse crime contra um agente de segurança seja responsabilizada no rigor da lei. Temos também a parte civil e de indenização que vai ser buscada para dar suporte a essas famílias, porque os direitos humanos não são somente daqueles que cometem crime, mas também dos familiares das vítimas desses crimes”, declarou.
O coronel Souza, comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar, ressaltou o apoio da comunidade à Polícia Militar e a importância da associação. “A criação da associação representa muito um apoio, seja ele institucional da associação, seja ele um apoio da comunidade como um todo. É importante essa instituição para que possamos também garantir alguns direitos que muitas vezes o Estado, por mais que faça valer o apoio ao policial, algumas situações particulares podem ser resolvidas pela associação”, concluiu.
Como primeira ação, a Associação Fraternidade Policial está arrecadando fundos, de forma voluntária, por meio de chave PIX correspondente ao CNPJ da entidade (65.036.330/0001-82). O objetivo é contribuir com a formação acadêmica dos filhos do Soldado Ariel Júlio Rubenich, vitimado em 25 de novembro de 2025. A participação da comunidade é fundamental para fortalecer a rede de apoio aos profissionais de segurança e suas famílias.

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