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Cascavel deve se preocupar com 'varíola dos macacos'?

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Vigilância diz que “cenário é de alerta” após confirmação de M-Pox no Sul do país...
Cascavel deve se preocupar com ‘varíola dos macacos’?

Por Luiz Haab

Atualizado em

Depois de um surto que resultou em 16 mortes no Brasil entre 2022 e 2023, a M-Pox, doença viral anteriormente conhecida como “varíola dos macacos”, voltou a ser motivo de preocupação nacional após a confirmação de um novo caso em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O episódio reacendeu discussões sobre prevenção e vigilância epidemiológica, especialmente diante do histórico recente da doença no país.

Em entrevista concedida ao estúdio da CGN, Daiane Ribeiro dos Santos, enfermeira da Vigilância Epidemiológica de Cascavel, destacou que a doença é causada pelo vírus M-Pox, originalmente identificado na África Central. O vírus permaneceu restrito àquela região até 2022, quando se espalhou pelo mundo e chegou a ser registrada uma epidemia no Brasil. Em Cascavel, naquele período, 11 casos foram confirmados, todos classificados como leves e tratados com medicamentos para alívio dos sintomas (febre, dores no corpo, dor de cabeça e lesões cutâneas). Não há, até o momento, tratamento específico para o vírus.

A nomenclatura da doença foi alterada para M-Pox para evitar o estigma associado aos macacos, já que estudos posteriores demonstraram que roedores e outros animais silvestres, como esquilos, também podem ser portadores do vírus. Segundo Daiane, a principal via de transmissão é sexual, embora o contágio também possa ocorrer por via respiratória, contato com saliva, gotículas e lesões cutâneas. “Enquanto o paciente tiver lesões, não deve ter contato com outras pessoas”, alertou.

As lesões da M-Pox se assemelham às da varíola tradicional, sendo maiores e com bordas bem delimitadas, apresentando necrose central, de onde são coletadas amostras para exames laboratoriais. Sobre a gravidade, Daiane explicou que a variante predominante no Brasil, Clado 2, apresenta letalidade inferior a 0,1%, ou seja, menos de uma morte por mil casos registrados. Em contraste, a variante africana pode alcançar letalidade entre 1% e 10%.

O recente caso em Porto Alegre indica que o vírus ainda circula no país. Só em São Paulo, 43 casos foram confirmados neste ano. Em todo o Brasil, há centenas de suspeitos em investigação. Apesar disso, Cascavel não registrou novos casos em 2024, 2025 e 2026, apenas notificações que não foram confirmadas após exames.

O Ministério da Saúde mantém um protocolo de contingência para evitar a disseminação da M-Pox, e doses de vacina foram disponibilizadas apenas para grupos vulneráveis durante a epidemia, não havendo imunização para toda a população até o momento.

Daiane reforça que o atual cenário é de alerta, especialmente para pessoas que apresentem sintomas como febre, dores no corpo, dor de cabeça e lesões cutâneas. A orientação é procurar atendimento médico para investigação adequada e diagnóstico preciso.

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